Quando era criança, adorava brincar com carrinhos.
Quando cresci um pouco, adorava os carrinhos de pipoca.
Quando fiquei adolescente, adorava o carrinho de meu pai.
Quando comecei a trabalhar, comprei um carrinho.
Hoje, passado muito tempo,
adoro, no trabalho, quando chega o carrinho de café.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
Cem anos de ilusão
Eu a este ponto torno-me uma nau a navegar.
Sem porto, trago em mim, sem poder me livrar,
todas as agruras destes infinito mar.
Olho, vejo e sinto, sem poder falar, a presença de todos os monstros que pairam no ar.
Coube a mim um “gran finale”. Mas simplesmente não posso. Aceitariam um apenas um “finale”? Não quixotesco por si só, mas real; tão real que outros já sucumbiram por tal.
Coube a mim, capitão desta nau, apenas a solidão, o grande troféu a alcançar. Nada mais!
A luta sem luta, a luta com luta. A luta com dor. O momento se aproxima e a esperança se esvai, enquanto o tempo escorre pelas velas de nossas naus.
Uma coisa posso dizer: Nasci de coturno, e tenho um coração litificado por cem anos de ilusão. Poderia dizer o porque, e muito mais. Mas para que o faria, se nada mudou neste último século.
As pessoas nasceram, a grama cresceu, e elas se foram. O homem á lua chegou e o mundo encolheu. Hoje ele cabe na palma de nossas mãos. Mas nada mudou!
O homem cotidiano, xucro por natureza, não é capaz de enxergar o seu próprio rastro, de sentir o seu próprio cheiro. Assim como um guarda-chuva, nada muda!
A luta sem luta, a luta com luta, a mudança só pela dor.
31/08/2010
Olho, vejo e sinto, sem poder falar, a presença de todos os monstros que pairam no ar.
Coube a mim um “gran finale”. Mas simplesmente não posso. Aceitariam um apenas um “finale”? Não quixotesco por si só, mas real; tão real que outros já sucumbiram por tal.
Coube a mim, capitão desta nau, apenas a solidão, o grande troféu a alcançar. Nada mais!
A luta sem luta, a luta com luta. A luta com dor. O momento se aproxima e a esperança se esvai, enquanto o tempo escorre pelas velas de nossas naus.
Uma coisa posso dizer: Nasci de coturno, e tenho um coração litificado por cem anos de ilusão. Poderia dizer o porque, e muito mais. Mas para que o faria, se nada mudou neste último século.
As pessoas nasceram, a grama cresceu, e elas se foram. O homem á lua chegou e o mundo encolheu. Hoje ele cabe na palma de nossas mãos. Mas nada mudou!
O homem cotidiano, xucro por natureza, não é capaz de enxergar o seu próprio rastro, de sentir o seu próprio cheiro. Assim como um guarda-chuva, nada muda!
A luta sem luta, a luta com luta, a mudança só pela dor.
31/08/2010
sexta-feira, 16 de maio de 2014
SAUDADES DO AMIGO
Em homenagem a uma época.
Autor: Luis Henrique Dias Tavares
Se o meu amigo estivesse vivo teria completado 90 anos. Infelizmente ele partiu em junho de 1991. Já então doente, mas lúcido e com a voz articulada ainda encontrou alegria para confiar-me que as mulheres da casa sempre o chamavam para que lhes dissesse a palavra final da canjica que borbulhava no grande tacho de cobre.
Foi esse orgulho de entendido no ponto certo de todos os doces e comidas o que ele manteve às vésperas de ir para o hospital e morrer. Vejo-o com os seus pequenos olhos vivos sentar-se na mesa para apreciar a moqueca de robalo com a bela cor do melhor azeite de dendê, o perfume especial dos pratos elaborados com amor e duzentos anos de cultura.
Com os olhos no meu amigo, minha mãe esperava. Ele saboreava lentamente o peixe embebido no azeite de dendê e no leite de coco. Servindo-se com o maior gosto, ele fazia o seu julgamento inapelável:
– Está boa, mas o coco era sapudo.
Sapudo! Como sabia? Como recolhera tal saber e arte? Poucos teriam como ele a certeza mais segura e apropriada para conhecer e comprar o melhor peixe fresco nas canoas que encostavam na escada do porto. Jamais conheci outro que reunisse vitória, festa e completa alegria no ato aparentemente simples de fazer feira. Ia do freguês da banana-da-terra ao da farinha de mandioca – única pura e deliciosa Copioba, fina e torrada ao ponto de parecer quente – do freguês de laranja-lima ao de abóbora e jiló, alguns desses fregueses tabaréus seus compadres. Mesmo que não fossem, conhecia-os a todos e pra cada qual tinha elogios e comentários que sempre valiam risos.
– Essa não, seu Luizinho!
Meu amigo chamou-se Luís Dias Tavares. Foi homem pobre nascido em família extensa e antiga. Pela linha paterna, era Dias Tavares por causa do avô João, imigrante português oriundo de Tomar, mas também considerava o pedaço Coelho de Sousa da avó Sinhá. Pelo lado matemo era Caldas Brito, o Caldas Brito do avô Tibério, homem dotado de famosa teimosia.
Por causa dos compromissos de família, julgou-se com o dever de cuidar de instituições assistenciais que vinham do século XIX – a Santa Casa, com o seu Hospital Gonçalves Martins, e o Asilo dos Meninos Desvalidos – ambas pobres e carentes, ainda mais pisadas e repisadas na descida econômica da cidade de Nazaré das Farinhas, que nunca foi rica, mas possuiu certo período de importância na sua condição de porto fluvial, escoadouro das riquezas do sudoeste.
Eu o vi bonito e feliz na reunião de médicos de Santa Casa, em 1933. Era jovem e recente Provedor (eleito em 1932), posição em que amargou solitária responsabilidade ao administrar instituições cujos magros recursos se apoiavam em aluguéis e enganosas apólices estaduais. Por aí se escoaram os melhores anos de sua vida.
Em algumas das lembranças mais recuadas de minha infância – bela e gostosa infância na Rocinha de Sinhá, no Onha e na Rua do Seco – vejo meu amigo preparando uma cantimplora de sorvete; ou o assisto elaborando balões para a noite de São João, que ele amava. Em distante madrugada de inverno eu o vi montar um cavalo tresmalhado e acertar sobre o corpo longa capa colonial. Ia cobrar uma dívida na Cidade de São Felipe.
Quarenta e cinco anos de comerciante! Nos últimos anos de vida sofreu permanente dor física e sentiu as duras limitações financeiras de pensionista do INPS. Não obstante pobre, encantou netos e netas, grande avô na capacidade de escutar e conceder.
É este meu amigo o velho que desce do ônibus e vem com passos arrastados e curtos até o banco de cimento em que o espero sentado. Tem sorriso de pai.
– Então, filho, como está?
É pergunta que não escutei. Mesmo que a escutasse, meu pai, não tenho palavras, gestos ou seja lá o que for. É só isso de me encontrar aqui neste fim de tarde. E são estas saudades que são muitas saudades.
TAVARES. Luis Henrique Dias. Sete cães derrubados. 59 Crônicas e o conto O misterioso caso da vida e da morte do comendador Borel (Salvador: Edufba; Fundação Casa de Jorge Amado, 200. p. 119-120)
Autor: Luis Henrique Dias Tavares
Se o meu amigo estivesse vivo teria completado 90 anos. Infelizmente ele partiu em junho de 1991. Já então doente, mas lúcido e com a voz articulada ainda encontrou alegria para confiar-me que as mulheres da casa sempre o chamavam para que lhes dissesse a palavra final da canjica que borbulhava no grande tacho de cobre.
Foi esse orgulho de entendido no ponto certo de todos os doces e comidas o que ele manteve às vésperas de ir para o hospital e morrer. Vejo-o com os seus pequenos olhos vivos sentar-se na mesa para apreciar a moqueca de robalo com a bela cor do melhor azeite de dendê, o perfume especial dos pratos elaborados com amor e duzentos anos de cultura.
Com os olhos no meu amigo, minha mãe esperava. Ele saboreava lentamente o peixe embebido no azeite de dendê e no leite de coco. Servindo-se com o maior gosto, ele fazia o seu julgamento inapelável:
– Está boa, mas o coco era sapudo.
Sapudo! Como sabia? Como recolhera tal saber e arte? Poucos teriam como ele a certeza mais segura e apropriada para conhecer e comprar o melhor peixe fresco nas canoas que encostavam na escada do porto. Jamais conheci outro que reunisse vitória, festa e completa alegria no ato aparentemente simples de fazer feira. Ia do freguês da banana-da-terra ao da farinha de mandioca – única pura e deliciosa Copioba, fina e torrada ao ponto de parecer quente – do freguês de laranja-lima ao de abóbora e jiló, alguns desses fregueses tabaréus seus compadres. Mesmo que não fossem, conhecia-os a todos e pra cada qual tinha elogios e comentários que sempre valiam risos.
– Essa não, seu Luizinho!
Meu amigo chamou-se Luís Dias Tavares. Foi homem pobre nascido em família extensa e antiga. Pela linha paterna, era Dias Tavares por causa do avô João, imigrante português oriundo de Tomar, mas também considerava o pedaço Coelho de Sousa da avó Sinhá. Pelo lado matemo era Caldas Brito, o Caldas Brito do avô Tibério, homem dotado de famosa teimosia.
Por causa dos compromissos de família, julgou-se com o dever de cuidar de instituições assistenciais que vinham do século XIX – a Santa Casa, com o seu Hospital Gonçalves Martins, e o Asilo dos Meninos Desvalidos – ambas pobres e carentes, ainda mais pisadas e repisadas na descida econômica da cidade de Nazaré das Farinhas, que nunca foi rica, mas possuiu certo período de importância na sua condição de porto fluvial, escoadouro das riquezas do sudoeste.
Eu o vi bonito e feliz na reunião de médicos de Santa Casa, em 1933. Era jovem e recente Provedor (eleito em 1932), posição em que amargou solitária responsabilidade ao administrar instituições cujos magros recursos se apoiavam em aluguéis e enganosas apólices estaduais. Por aí se escoaram os melhores anos de sua vida.
Em algumas das lembranças mais recuadas de minha infância – bela e gostosa infância na Rocinha de Sinhá, no Onha e na Rua do Seco – vejo meu amigo preparando uma cantimplora de sorvete; ou o assisto elaborando balões para a noite de São João, que ele amava. Em distante madrugada de inverno eu o vi montar um cavalo tresmalhado e acertar sobre o corpo longa capa colonial. Ia cobrar uma dívida na Cidade de São Felipe.
Quarenta e cinco anos de comerciante! Nos últimos anos de vida sofreu permanente dor física e sentiu as duras limitações financeiras de pensionista do INPS. Não obstante pobre, encantou netos e netas, grande avô na capacidade de escutar e conceder.
É este meu amigo o velho que desce do ônibus e vem com passos arrastados e curtos até o banco de cimento em que o espero sentado. Tem sorriso de pai.
– Então, filho, como está?
É pergunta que não escutei. Mesmo que a escutasse, meu pai, não tenho palavras, gestos ou seja lá o que for. É só isso de me encontrar aqui neste fim de tarde. E são estas saudades que são muitas saudades.
TAVARES. Luis Henrique Dias. Sete cães derrubados. 59 Crônicas e o conto O misterioso caso da vida e da morte do comendador Borel (Salvador: Edufba; Fundação Casa de Jorge Amado, 200. p. 119-120)
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Caixinhas
Com o passar do tempo, descobri que desenvolvi um certo hábito.
Costumo arrumar as minhas coisas dentro de pequenas caixinhas.
Nelas coloco fatos, imagens, emoções,saudades
e todo este tipo de coisas.
As empilho umas sobre as outras,
e as esqueço em algum lugar escuro do sótão.
Outro dia, por um acaso, esbarrei-me com uma delas.
Era uma das antigas; uma das mais antigas.
Quando a abri, encontrei um sorriso largo, aberto e contagiante.
Olhei, com muito carinho pensei:
- Que bom eu ter guardados isso!
Costumo arrumar as minhas coisas dentro de pequenas caixinhas.
Nelas coloco fatos, imagens, emoções,saudades
e todo este tipo de coisas.
As empilho umas sobre as outras,
e as esqueço em algum lugar escuro do sótão.
Outro dia, por um acaso, esbarrei-me com uma delas.
Era uma das antigas; uma das mais antigas.
Quando a abri, encontrei um sorriso largo, aberto e contagiante.
Olhei, com muito carinho pensei:
- Que bom eu ter guardados isso!
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Nando & Lica
Ainda era cedo, o expediente estava apenas começando, quando Hernando entrou na minha sala e foi logo dizendo: - Cara, eu amo Maria Amélia.
Fiquei sem saber o que dizer. Éramos amigos, mas conversávamos, no dia a dia, apenas assuntos de trabalho e sobre as sacanagens que sempre rola dentro de uma empresa. Nunca havíamos falado de seus assuntos particulares. Na época eu tinha poucos anos de empresa, e ele já era um profissional veterano em final de carreira.
Hernando, depois que se separou de sua mulher, passou a viver sozinho em seu apartamento e se transformou em um sujeito solitário, que poucas vezes saia. Vivia trancafiado em seu apto e quando a coisa ficava muito complicada era o zelador do prédio que ia fazer a limpeza e deixar as coisas em ordem. Sair, apenas para o trabalho.
Apesar de tudo, e de sua idade, ele se relacionava bem com a turma mais nova, e dentro dele, lá estava eu.
Mas naquela manhã Hernando estava diferente. Seu semblante parecia realmente abatido, como se houvesse passado a noite toda “em claro”. Aquela sua declaração parecia ser o início de um momento de desabafo.
Com calma, e fazendo longas pausas, como se estivesse ordenando o seu pensamento, contou-me que estava obcecado, já há anos, por uma colega, “a tal” Maria Amélia, e por mais que fizesse, não era correspondido. Enviara flores, enviara presentes, mas nunca obtinha respostas. Disse-me que sua paixão terminou se transformando em obsessão, e que ela chegou ao ponto de investigar a vida pessoal dela, com a intenção de achar algum espaço para poder conquista-la.
Sua mania o levou a segui-la nas suas atividades diárias. Se Maria Amélia ia a um supermercado, lá estava o Hernando observando-a de longe. Se ela ia a uma praia, lá estava ele fotografando a sua amada. Seu comportamento, de tão acintoso que era, obrigou-a a dar queixa na polícia. E lá se foi Hernando à delegacia dar esclarecimentos sobre o seu assédio. Terminou por ouvir do delegado, um belo carão e a promessas que se não mudasse de atitude, da próxima vez ele não seria tão condescendente.
E assim, o meu amigo Hernando caiu em profunda depressão, e por uns quinze dias, desapareceu do trabalho e se trancou em seu apartamento. Não falava com ninguém nem atendia telefonemas. Apenas o zelador, seu amigo, foi o seu único ser vivo que manteve contato com ele durante esses dias.
Passado o período de “luto”, Hernando reapareceu. Abatido, como era de se esperar, voltou, ou tentou retornar à suas atividades habituais. Como era de se esperar, a história de amor platônico do meu amigo se espalhou pela empresa, como um rastrilho de pólvora.
Naquela época, trabalhava conosco a Lícia, uma morena formosa, expansiva, cheia de personalidade, de relacionamentos abertos, com muita experiência de vida e muito fogosa. O único problema era que vivia fazendo visitas, quase que diárias, ao gerente do nosso banco.
Cheia de amor para dar, percebeu que aquele era um grande momento para resolver de vez os seus problemas. A fera estava ferida, em convalescência, e que sem dúvida precisaria de seu “apoio”.
E assim, a Lica, se empenhou em conquistar o Nando.
Com suas habilidades especiais e a carência do “seu amado”, a tarefa foi muito fácil de ser realizada. Em pouquíssimo tempo ela o tinha feito esquecer “a tal” Maria Amélia, e evaporou definitivamente a sua depressão.
A Lícia, na sua expansividade, cheia de alegria e amor para dar, alardeava aos quatro ventos que em breve os dois estariam morando juntos.
Rapidamente, Hernando vendeu o seu muquifo e comprou um apartamento “novo em folha” em um bairro nobre da cidade.
O ninho de amor, de Nando e Lica, estava armado. Os únicos pequenos inconveniente eram os dois filhotes adolescentes da Lica que iriam morar com eles. Mas Hernando nem estava ligando para isso. Parecia que finalmente ele havia conseguido uma família. Hernando e Lícia agora eram as personificações da pura felicidade. O homem ganhou uma nova vida e Líca se vangloriava que suas “habilidades especiais” tinham levantado o homem.
O tempo passou, e justiça seja feita, Lícia cuidou direitinho do velho Nando. Assumiu o papel de esposa responsável, dedicada e fiel, pelo menos até a onde se sabe. Ela o acompanhou com dedicação até a sua morte.
Tenho certeza que Hernando morreu bem assistido e digamos assim; “morreu feliz”. Superado este momento, e após certo tempo a “inquietude” e o “fogo” de Lica voltaram com tudo, e com eles, sua antiga vida.
O patrimônio deixado por Hernando foi rapidamente dilapidado, sendo que o belo apartamento do antigo casal, vendido para a compra de um menor. Hoje ela adotou um garotão malhado e voltou a fazer visitas ao seu antigo gerente.
Mesmo assim, acho que Hernando, onde quer que esteja, não a recrimina. Tenho certeza que os anos que ele passou com Lícia, foram os melhores de sua existência. Assim é a vida!
Fiquei sem saber o que dizer. Éramos amigos, mas conversávamos, no dia a dia, apenas assuntos de trabalho e sobre as sacanagens que sempre rola dentro de uma empresa. Nunca havíamos falado de seus assuntos particulares. Na época eu tinha poucos anos de empresa, e ele já era um profissional veterano em final de carreira.
Hernando, depois que se separou de sua mulher, passou a viver sozinho em seu apartamento e se transformou em um sujeito solitário, que poucas vezes saia. Vivia trancafiado em seu apto e quando a coisa ficava muito complicada era o zelador do prédio que ia fazer a limpeza e deixar as coisas em ordem. Sair, apenas para o trabalho.
Apesar de tudo, e de sua idade, ele se relacionava bem com a turma mais nova, e dentro dele, lá estava eu.
Mas naquela manhã Hernando estava diferente. Seu semblante parecia realmente abatido, como se houvesse passado a noite toda “em claro”. Aquela sua declaração parecia ser o início de um momento de desabafo.
Com calma, e fazendo longas pausas, como se estivesse ordenando o seu pensamento, contou-me que estava obcecado, já há anos, por uma colega, “a tal” Maria Amélia, e por mais que fizesse, não era correspondido. Enviara flores, enviara presentes, mas nunca obtinha respostas. Disse-me que sua paixão terminou se transformando em obsessão, e que ela chegou ao ponto de investigar a vida pessoal dela, com a intenção de achar algum espaço para poder conquista-la.
Sua mania o levou a segui-la nas suas atividades diárias. Se Maria Amélia ia a um supermercado, lá estava o Hernando observando-a de longe. Se ela ia a uma praia, lá estava ele fotografando a sua amada. Seu comportamento, de tão acintoso que era, obrigou-a a dar queixa na polícia. E lá se foi Hernando à delegacia dar esclarecimentos sobre o seu assédio. Terminou por ouvir do delegado, um belo carão e a promessas que se não mudasse de atitude, da próxima vez ele não seria tão condescendente.
E assim, o meu amigo Hernando caiu em profunda depressão, e por uns quinze dias, desapareceu do trabalho e se trancou em seu apartamento. Não falava com ninguém nem atendia telefonemas. Apenas o zelador, seu amigo, foi o seu único ser vivo que manteve contato com ele durante esses dias.
Passado o período de “luto”, Hernando reapareceu. Abatido, como era de se esperar, voltou, ou tentou retornar à suas atividades habituais. Como era de se esperar, a história de amor platônico do meu amigo se espalhou pela empresa, como um rastrilho de pólvora.
Naquela época, trabalhava conosco a Lícia, uma morena formosa, expansiva, cheia de personalidade, de relacionamentos abertos, com muita experiência de vida e muito fogosa. O único problema era que vivia fazendo visitas, quase que diárias, ao gerente do nosso banco.
Cheia de amor para dar, percebeu que aquele era um grande momento para resolver de vez os seus problemas. A fera estava ferida, em convalescência, e que sem dúvida precisaria de seu “apoio”.
E assim, a Lica, se empenhou em conquistar o Nando.
Com suas habilidades especiais e a carência do “seu amado”, a tarefa foi muito fácil de ser realizada. Em pouquíssimo tempo ela o tinha feito esquecer “a tal” Maria Amélia, e evaporou definitivamente a sua depressão.
A Lícia, na sua expansividade, cheia de alegria e amor para dar, alardeava aos quatro ventos que em breve os dois estariam morando juntos.
Rapidamente, Hernando vendeu o seu muquifo e comprou um apartamento “novo em folha” em um bairro nobre da cidade.
O ninho de amor, de Nando e Lica, estava armado. Os únicos pequenos inconveniente eram os dois filhotes adolescentes da Lica que iriam morar com eles. Mas Hernando nem estava ligando para isso. Parecia que finalmente ele havia conseguido uma família. Hernando e Lícia agora eram as personificações da pura felicidade. O homem ganhou uma nova vida e Líca se vangloriava que suas “habilidades especiais” tinham levantado o homem.
O tempo passou, e justiça seja feita, Lícia cuidou direitinho do velho Nando. Assumiu o papel de esposa responsável, dedicada e fiel, pelo menos até a onde se sabe. Ela o acompanhou com dedicação até a sua morte.
Tenho certeza que Hernando morreu bem assistido e digamos assim; “morreu feliz”. Superado este momento, e após certo tempo a “inquietude” e o “fogo” de Lica voltaram com tudo, e com eles, sua antiga vida.
O patrimônio deixado por Hernando foi rapidamente dilapidado, sendo que o belo apartamento do antigo casal, vendido para a compra de um menor. Hoje ela adotou um garotão malhado e voltou a fazer visitas ao seu antigo gerente.
Mesmo assim, acho que Hernando, onde quer que esteja, não a recrimina. Tenho certeza que os anos que ele passou com Lícia, foram os melhores de sua existência. Assim é a vida!
quarta-feira, 23 de abril de 2014
O milagre
Envolvida em uma profunda aflição, Maria Encarnación viu à sua frente a grande e pesada porta do convento se abrindo. Lá estava a abadessa, figura de semblante frio e sisudo e ar bastante severo.
A madre esperava para recebê-la, juntamente com seu pai, uma autoridade local e homem de grandes posses.
Para aquela jovem, a passagem por aquela porta representava o limite entre o mundo da liberdade, do amor, e o de uma vida de profunda tristeza, reclusa em um pequeno claustro solitário.
Já que ela não tinha nenhuma inclinação religiosa, qual teria sido seu erro para tão severo castigo?
Ao que se sabe, por uma dessas casualidades do destino, Encarnación conheceu e se apaixonou por Ryan, um jovem mancebo, que, para o azar de ambos, era totalmente desprovido de recursos e distinção social.
Logo que soube do seu envolvimento com o Ryan, seu pai totalmente enfurecido reprovou violentamente aquele relacionamento, e rapidamente providenciou o seu internamento no monastério da cidade. Na madrugada do dia seguinte, o jovem Ryan fora raptado e forçado a embarcar em um navio que saia para a Espanha.
Os meses seguintes de Encarnación no mosteiro foram regidos por uma por apatia profunda e adoecimentos constantes. Naquele ambiente austero e de isolamento, sua única comunicação com o mundo exterior era no dia de visita, em que falava com sua mãe através de um estreito gradil de madeira, por apenas alguns minutos. Sem nenhuma inclinação religiosa e com indecifráveis intenções latentes, Encarnación passou a conviver com centenas de outras donzelas que ali estavam por motivos semelhantes ou por promessas feitas por seus pais, que as ofereciam como oferendas a sua santa de devoção.
Vivendo com apenas o indispensável, os meses, assim como os primeiros anos foram se arrastando entre o duro trabalho diário do monastério, as aulas e as longas horas de recolhimento espiritual.
Os únicos momentos de descontração resumiam-se às curtas caminhadas pelas ruelas daquele excêntrico convento e as discretas conversas com as outras educandas, nos belos pátios, repletos de flores e pequenos arbustos.
Certa tarde, em mais uma dessas caminhadas, discretamente Encarnación recebeu de uma laica de serviço um intrigante bilhete que dizia: - Em breve estarei com você, não se assuste.
Vivendo no meio de centenas de pessoas de sentimentos tão heterogêneos, tudo parecia ser possível.
E assim, Encarnación viveu os dias seguintes envolta no mistério daquele bilhete intrigante e anônimo.
Certa noite alguém bateu à porta do seu claustro. Já era bem tarde e a noite apresentava-se bastante escura. Maria Encarnación intrigada e com receio perguntou timidamente: - Quem está ai?
E como resposta obteve:- Preciso falar com você.
Aquela voz não era estranha para ela. Mas mesmo assim, por cuidado, olhou pela pequena vigia da porta e viu a imagem de uma monja usando o seu capuz que lhe escondia totalmente o rosto. Quem seria?
Neste instante ela ouviu: - Não se assuste Encarnación, sou eu. Sou eu! Ryan! Eu voltei.
Ryan! Como poderia ele estar ali? Como poderia ter saltado os altos muros de siliares que cercavam o mosteiro?
Mas o fato era que Ryan, após ter conseguido voltar da Espanha, havia achado uma forma de entrar no mosteiro.
Sem duvida era ele. Imediatamente abriu a porta e Juntos passaram o resto da noite trocando profundos carinhos e juras de um amor verdadeiro.
E assim os dias foram se sucedendo e Ryan, vestido com hábito de monja, todas as noites conseguia transitar furtivamente pelo convento sem ser notado e visitar a sua amada.
Devido aos movimentos clandestinos que existiam durante as noites do convento, com saídas e entradas das donzelas entre os vários claustros, Ryan terminou por ser descoberto devido a um pequeno detalhe: as botas que usava por baixo do hábito.
Rapidamente a abadessa foi avisada que havia um homem transitando no convento e que tinha entrado no claustro de uma das educandas.
Como explicar a presença de um homem na cela de seu mosteiro? Isso seria um verdadeiro escândalo, pensou ela.
Enquanto as auxiliares tentavam abrir a porta do claustro, a abadessa aflita tratou de mandar todos embora, deixando apenas duas madres de sua extrema confiança.
Quando finalmente conseguiram destravar a trancada porta, a madre superiora dispensou também as laicas, e juntamente com as outras duas madres entraram na cela.
Para sua surpresa, elas se depararam com um belo anjo que estava ajoelhado aos pés de Maria Encarnacion, e que repetia solenemente e sem parar: - Salve Maria, Salve Maria..............
Conta a abadessa que em um determinado instante, uma luz começou a emanar do corpo de Maria e a tomar toda a cela, a tal ponto de quase não permitir mais poder ser observada.
Mas mesmo assim, a madre superiora jura ter visto o corpo de Maria e do anjo, se transformarem em pura luz e se fundirem. Seguindo-se a isso, ela relata que houve uma grande explosão de energia, e como um raio toda aquela luz projetou-se porta a fora, indo em direção as montanhas localizadas próximas ao convento. A explosão de energia teria sido tão forte que chegou a queimar algumas peças do claustro.
Acontecido tudo isso, a abadessa convicta que tinha presenciado um verdadeiro milagre no seu monastério, determinou que a partir daquela data o claustro de Maria Encarnación se transformasse em um lugar sagrado do convento. Na madrugada prevista para a partida do navio que serviria de fuga para Ryan e Encarnación, enquanto a nave desatracava do cais, tomava o seu rumo e se perdia mar adentro, sendo engolida pala escuridão da noite, de dentro de uma carruagem, três vultos negros observam discretamente a partida daquele navio. Após alguns momentos a carruagem parte, e também ela se embrenha na escuridão daquela noite.
A madre esperava para recebê-la, juntamente com seu pai, uma autoridade local e homem de grandes posses.
Para aquela jovem, a passagem por aquela porta representava o limite entre o mundo da liberdade, do amor, e o de uma vida de profunda tristeza, reclusa em um pequeno claustro solitário.
Já que ela não tinha nenhuma inclinação religiosa, qual teria sido seu erro para tão severo castigo?
Ao que se sabe, por uma dessas casualidades do destino, Encarnación conheceu e se apaixonou por Ryan, um jovem mancebo, que, para o azar de ambos, era totalmente desprovido de recursos e distinção social.
Logo que soube do seu envolvimento com o Ryan, seu pai totalmente enfurecido reprovou violentamente aquele relacionamento, e rapidamente providenciou o seu internamento no monastério da cidade. Na madrugada do dia seguinte, o jovem Ryan fora raptado e forçado a embarcar em um navio que saia para a Espanha.
Os meses seguintes de Encarnación no mosteiro foram regidos por uma por apatia profunda e adoecimentos constantes. Naquele ambiente austero e de isolamento, sua única comunicação com o mundo exterior era no dia de visita, em que falava com sua mãe através de um estreito gradil de madeira, por apenas alguns minutos. Sem nenhuma inclinação religiosa e com indecifráveis intenções latentes, Encarnación passou a conviver com centenas de outras donzelas que ali estavam por motivos semelhantes ou por promessas feitas por seus pais, que as ofereciam como oferendas a sua santa de devoção.
Vivendo com apenas o indispensável, os meses, assim como os primeiros anos foram se arrastando entre o duro trabalho diário do monastério, as aulas e as longas horas de recolhimento espiritual.
Os únicos momentos de descontração resumiam-se às curtas caminhadas pelas ruelas daquele excêntrico convento e as discretas conversas com as outras educandas, nos belos pátios, repletos de flores e pequenos arbustos.
Certa tarde, em mais uma dessas caminhadas, discretamente Encarnación recebeu de uma laica de serviço um intrigante bilhete que dizia: - Em breve estarei com você, não se assuste.
Vivendo no meio de centenas de pessoas de sentimentos tão heterogêneos, tudo parecia ser possível.
E assim, Encarnación viveu os dias seguintes envolta no mistério daquele bilhete intrigante e anônimo.
Certa noite alguém bateu à porta do seu claustro. Já era bem tarde e a noite apresentava-se bastante escura. Maria Encarnación intrigada e com receio perguntou timidamente: - Quem está ai?
E como resposta obteve:- Preciso falar com você.
Aquela voz não era estranha para ela. Mas mesmo assim, por cuidado, olhou pela pequena vigia da porta e viu a imagem de uma monja usando o seu capuz que lhe escondia totalmente o rosto. Quem seria?
Neste instante ela ouviu: - Não se assuste Encarnación, sou eu. Sou eu! Ryan! Eu voltei.
Ryan! Como poderia ele estar ali? Como poderia ter saltado os altos muros de siliares que cercavam o mosteiro?
Mas o fato era que Ryan, após ter conseguido voltar da Espanha, havia achado uma forma de entrar no mosteiro.
Sem duvida era ele. Imediatamente abriu a porta e Juntos passaram o resto da noite trocando profundos carinhos e juras de um amor verdadeiro.
E assim os dias foram se sucedendo e Ryan, vestido com hábito de monja, todas as noites conseguia transitar furtivamente pelo convento sem ser notado e visitar a sua amada.
Devido aos movimentos clandestinos que existiam durante as noites do convento, com saídas e entradas das donzelas entre os vários claustros, Ryan terminou por ser descoberto devido a um pequeno detalhe: as botas que usava por baixo do hábito.
Rapidamente a abadessa foi avisada que havia um homem transitando no convento e que tinha entrado no claustro de uma das educandas.
Como explicar a presença de um homem na cela de seu mosteiro? Isso seria um verdadeiro escândalo, pensou ela.
Enquanto as auxiliares tentavam abrir a porta do claustro, a abadessa aflita tratou de mandar todos embora, deixando apenas duas madres de sua extrema confiança.
Quando finalmente conseguiram destravar a trancada porta, a madre superiora dispensou também as laicas, e juntamente com as outras duas madres entraram na cela.
Para sua surpresa, elas se depararam com um belo anjo que estava ajoelhado aos pés de Maria Encarnacion, e que repetia solenemente e sem parar: - Salve Maria, Salve Maria..............
Conta a abadessa que em um determinado instante, uma luz começou a emanar do corpo de Maria e a tomar toda a cela, a tal ponto de quase não permitir mais poder ser observada.
Mas mesmo assim, a madre superiora jura ter visto o corpo de Maria e do anjo, se transformarem em pura luz e se fundirem. Seguindo-se a isso, ela relata que houve uma grande explosão de energia, e como um raio toda aquela luz projetou-se porta a fora, indo em direção as montanhas localizadas próximas ao convento. A explosão de energia teria sido tão forte que chegou a queimar algumas peças do claustro.
Acontecido tudo isso, a abadessa convicta que tinha presenciado um verdadeiro milagre no seu monastério, determinou que a partir daquela data o claustro de Maria Encarnación se transformasse em um lugar sagrado do convento. Na madrugada prevista para a partida do navio que serviria de fuga para Ryan e Encarnación, enquanto a nave desatracava do cais, tomava o seu rumo e se perdia mar adentro, sendo engolida pala escuridão da noite, de dentro de uma carruagem, três vultos negros observam discretamente a partida daquele navio. Após alguns momentos a carruagem parte, e também ela se embrenha na escuridão daquela noite.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
O gato
Havia chegado o inverno.
Repentinamente a porta da sala se abriu
e um vento gélido percorreu todo o ambiente.
Um gato, branco como a neve, entrou pela porta
e foi beber o leite que se encontrava em um grande pires.
Bebeu, bebeu, bebeu, até se saciar.
Em seguida mergulhou no leite e desapareceu.
Repentinamente a porta da sala se abriu
e um vento gélido percorreu todo o ambiente.
Um gato, branco como a neve, entrou pela porta
e foi beber o leite que se encontrava em um grande pires.
Bebeu, bebeu, bebeu, até se saciar.
Em seguida mergulhou no leite e desapareceu.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O encontro
Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Peregrino
A noite chegou.
Mais uma vez,o cansaço imóvel do bronze
libertou suas almas.
Os que estavam sentados levantaram,
e lá se foram os quatros para o boteco
tomar cerveja com torresmo.
Ao clarear, como sempre, voltaram
e novamente morreram.
A noite chegou.
Mais uma vez,o cansaço imóvel do bronze
libertou suas almas.
Os que estavam sentados levantaram,
e lá se foram os quatros para o boteco
tomar cerveja com torresmo.
Ao clarear, como sempre, voltaram
e novamente morreram.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Bola amarela
Sathya ( 7 anos)
Quando voa pelo ar
minha bola amarela
parece uma estrela a brilhar.
Quando jogo com ela,
ela vira uma danada.
Pula, pula,pula,
como hula hula.
Mas quando dou um chutão
o goleiro cai de peito,
não tem mais jeito,
não tem perdão.
É goooool !
Quando voa pelo ar
minha bola amarela
parece uma estrela a brilhar.
Quando jogo com ela,
ela vira uma danada.
Pula, pula,pula,
como hula hula.
Mas quando dou um chutão
o goleiro cai de peito,
não tem mais jeito,
não tem perdão.
É goooool !
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Vão.
Fazia tempo que ele estava parado sob aquela árvore.
Aos poucos sua pele foi ficando cada vez mais seca, mais grossa e escura, tal qual a de um velho elefante.
Quanto mais seca e grossa ia ficando, mais o seu corpo ia se curvando para frente e perdendo a forma.
Por fim, tombou espatifando-se no chão em centenas de cacos, que logo foram assimilados pela avidez de uma terra úmida.
Aos poucos sua pele foi ficando cada vez mais seca, mais grossa e escura, tal qual a de um velho elefante.
Quanto mais seca e grossa ia ficando, mais o seu corpo ia se curvando para frente e perdendo a forma.
Por fim, tombou espatifando-se no chão em centenas de cacos, que logo foram assimilados pela avidez de uma terra úmida.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Parece um filme.
Assim como no assassinato de JFK, há 50 anos atrás, a história da fuga de Pizzolato, mensaleiro condenado, impressiona pela diversidade de teorias, todas dignas de roteiro de filmes policial. Elas revelam a existência de uma série de pistas falsas, que não poderiam ser implantadas exclusivamente pelo próprio fugitivo.
Todos já sabiam que ele já havia desaparecido há cerca de dois meses do Rio de Janeiro, onde morava com a mulher.
Somente após algumas horas do Supremo Tribunal Federal expedir o seu mandado de prisão, é que aparece a primeira informação do caso dando conta de que Pizzolato teria fugido para a Itália para não cumprir a pena que lhe foi imposta.
Por que esperar até o ultimo instante para fugir? Já que ele estaria decidido, por que não o teria feito antes?
A partir daí, várias outras teorias sobre a sua fuga começam a aparecer, cada qual levando em uma direção, mostrando uma real intenção de criar uma verdadeira cortina de fumaça ao redor do mensaleiro fujão.
A família, afirma que o foragido estaria na Itália, após deixar o Brasil pela cidade de Ponta Porã (MS) e ingressar no Paraguai por Pedro Juan Caballero. Outra hipótese, indica que Pizolato teria deixado o país através da cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde teria seguido para a Argentina. De Buenos Aires teria viajado para a Europa com um documento supostamente emitido por um consulado italiano em substituição ao passaporte que lhe foi tomado pela justiça brasileira.
O consulato da Itália na Argentina nega que Pizzolato tenha solicitada a segunda via do passaporte ou conseguido algum documento que o substituísse.
O consulato da Italia no Paraguai também nega ter emitodo algum tipo de documento. Outra possibilidade aventada é que ele tenha viajado com um passaporte falsificado, conseguido com criminosos que atuam em território paraguaio.
Pelo seu lado, o governo italiano informou à polícia brasileira que não há registro da entrada de Henrique Pizzolato naquele país.
Mas a polícia federal brasileira, toda embananada, afirma que ele deixou o Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usando um passaporte italiano. Assunto esse, cheio de erros e mistérios.
Como um homem sozinho poderia criar uma trama tão complexa?
Certo é que, segundo os investigadores, Pizzolato sabia muito do esquema que levou seus companheiros à prisão. Sabe-se através da imprensa que ele teria pressionado o PT a livra-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico.
O seu silêncio interessa não apenas aos que eventualmente tenham participado diretamente do escândalo de corrupção, mas principalmente ao que escaparam ilesos da execração pública e da condenação do Supremo.
Pizzolato sabe demais sobre o escândalo do Mensalão do PT e um eventual depoimento seu poderia ser uma bomba que terminaria por ressoar na reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Comenta-se na imprensa que os dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado nesta fuga, juntamente com um seguimento do governo federal, o qual era informado constantemente, pelo setor de inteligência, dos movimentos do mensaleiro.
Comenta-se que nada disso teria sido possível sem a conivência de autoridades federais, algumas interessadas no sumiço do ex-diretor do Banco do Brasil, que desde a CPI dos Correios é considerado um arquivo ambulante e altamente explosivo.
Existe também a possibilidade, para a Polícia Federal, que Pizzolato possa nem ter saído do Brasil.
Como nos grandes filmes policiais, e associando aos enredos já vistos e utilizados pelos envolvidos nesta trama, o desfecho desta história certamente poderá ter um final tórrido. Nos filmes da máfia, por exemplo, a pena para os traidores, ou para aqueles que ela acha que poderá vir a traí-la é sempre a mesma.
Enquanto Pizollato não reaparecer, sempre existe a possibilidade dele ainda estar no Brasil, descansando, quem sabe, tranquilamente na frialdade inorgânica da terra.
Todos já sabiam que ele já havia desaparecido há cerca de dois meses do Rio de Janeiro, onde morava com a mulher.
Somente após algumas horas do Supremo Tribunal Federal expedir o seu mandado de prisão, é que aparece a primeira informação do caso dando conta de que Pizzolato teria fugido para a Itália para não cumprir a pena que lhe foi imposta.
Por que esperar até o ultimo instante para fugir? Já que ele estaria decidido, por que não o teria feito antes?
A partir daí, várias outras teorias sobre a sua fuga começam a aparecer, cada qual levando em uma direção, mostrando uma real intenção de criar uma verdadeira cortina de fumaça ao redor do mensaleiro fujão.
A família, afirma que o foragido estaria na Itália, após deixar o Brasil pela cidade de Ponta Porã (MS) e ingressar no Paraguai por Pedro Juan Caballero. Outra hipótese, indica que Pizolato teria deixado o país através da cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde teria seguido para a Argentina. De Buenos Aires teria viajado para a Europa com um documento supostamente emitido por um consulado italiano em substituição ao passaporte que lhe foi tomado pela justiça brasileira.
O consulato da Itália na Argentina nega que Pizzolato tenha solicitada a segunda via do passaporte ou conseguido algum documento que o substituísse.
O consulato da Italia no Paraguai também nega ter emitodo algum tipo de documento. Outra possibilidade aventada é que ele tenha viajado com um passaporte falsificado, conseguido com criminosos que atuam em território paraguaio.
Pelo seu lado, o governo italiano informou à polícia brasileira que não há registro da entrada de Henrique Pizzolato naquele país.
Mas a polícia federal brasileira, toda embananada, afirma que ele deixou o Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usando um passaporte italiano. Assunto esse, cheio de erros e mistérios.
Como um homem sozinho poderia criar uma trama tão complexa?
Certo é que, segundo os investigadores, Pizzolato sabia muito do esquema que levou seus companheiros à prisão. Sabe-se através da imprensa que ele teria pressionado o PT a livra-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico.
O seu silêncio interessa não apenas aos que eventualmente tenham participado diretamente do escândalo de corrupção, mas principalmente ao que escaparam ilesos da execração pública e da condenação do Supremo.
Pizzolato sabe demais sobre o escândalo do Mensalão do PT e um eventual depoimento seu poderia ser uma bomba que terminaria por ressoar na reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Comenta-se na imprensa que os dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado nesta fuga, juntamente com um seguimento do governo federal, o qual era informado constantemente, pelo setor de inteligência, dos movimentos do mensaleiro.
Comenta-se que nada disso teria sido possível sem a conivência de autoridades federais, algumas interessadas no sumiço do ex-diretor do Banco do Brasil, que desde a CPI dos Correios é considerado um arquivo ambulante e altamente explosivo.
Existe também a possibilidade, para a Polícia Federal, que Pizzolato possa nem ter saído do Brasil.
Como nos grandes filmes policiais, e associando aos enredos já vistos e utilizados pelos envolvidos nesta trama, o desfecho desta história certamente poderá ter um final tórrido. Nos filmes da máfia, por exemplo, a pena para os traidores, ou para aqueles que ela acha que poderá vir a traí-la é sempre a mesma.
Enquanto Pizollato não reaparecer, sempre existe a possibilidade dele ainda estar no Brasil, descansando, quem sabe, tranquilamente na frialdade inorgânica da terra.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Dois poemas; um só poeta.
Quando se pensa nos poetas como um ser lírico, Manuel Bandeira nós mostra a sua face de um ser real e nada pudico. Suas abordagens ás vezes consideradas vulgares, pela tradição acadêmica, reforça a sua condição humana de poeta do cotidiano, transitando entre o sublime e o mundano com a mesma facilidade.
A alcunha de “O mais lírico dos poeta” parece não se encaixar na sua personalidade.
Arte de Amar
Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
A Cópula.
Manuel Bandeira
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.
A alcunha de “O mais lírico dos poeta” parece não se encaixar na sua personalidade.
Arte de Amar
Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
A Cópula.
Manuel Bandeira
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
O buraco da fechadura.
Desde que o mundo é mundo que o homem se espiona. A arapongagem, como se conhece hoje, possivelmente teve seu início lá nos primórdios da humanidade, com a formação dos primeiros grupos de homo sapiens, quando ainda vagavam sem rumo pelas pradarias da África.
Por uma questão de sobrevivência, era preciso saber como o outro grupo conseguia abater aquele animal tão grande e sem grandes problemas. Agora eles teriam comida por vários dias, e a depender do clima, por várias semanas. Que “nova tecnologia” seria aquela? Era necessário saber. E para saber era preciso olhar, espiar; espionar. Espionar foi um ato que certamente ajudou de sobrevivência da própria humanidade, servindo como um catalizador da nossa evolução tecnológica.
Espionar o outro; o interesse pela vida alheia, e o prazer da bisbilhotice, parece fazer parte de natureza humana, estando encravada bem lá no fundo do nosso DNA.
Fala-se que os antigos Egípcios já possuíam um sistema de, digamos assim, “ aquisição de informações” bastante desenvolvido que servia ao estado, e pelo que se tem notícia, o primeiro serviço secreto oficial foi organizado por ordem do rei Luis XIV da França. De lá para cá, todo estadozinho que se preze tem o seu. Se não for para uso externo, é para uso interno, ou ambos.
Espionar o outro virou uma obsessão entre os estados constituídos. A guerra fria acelerou, refinou e sofisticou brutalmente os processos e as técnicas de espionagem. Espionagem e contraespionagem passaram a se misturar e já não se sabe mais quem começou primeiro. Na área das relações internacionais parece que a melhor defesa não é o ataque. É a espionagem.
Durante este longo tempo, parece que a única coisa que mudou foi a forma e a velocidade com que as “informações coletadas” chegam ao seu destino. O avanço tecnológico possibilitou uma espionagem “on line” sem a necessidade daqueles antigos agentes secretos que se infiltravam entre os inimigos, realizando todo o tipo de “trabalho sujo” que por ventura viesse a ocorrer.
Atualmente não se precisa mais enforcar ou decapitar o espião pilhado com a mão na massa. Se alguma coisa dá errado, é só desligar o sistema e fazer cara de desentendido quando acossado por algum repórter.
Hoje não adianta chorar nem fazer biquinho. Não adianta criptografar ou comprar um sistema especial qualquer. Quem vai lhe vender essa tecnologia é o mesmo que lhe espiona.
Dizem que a nossa saída para o espaço, através da base de Alcântara no Maranhão, sofreu uma “interferência” francesa. Oficialmente, a explosão foi provocada por uma pane elétrica que causou ignição antecipada de um dos propulsores do foguete. A localização da base brasileira é considerada uma das melhores do mundo para o lançamento de foguetes com satélites comerciais, pois com a proximidade ao Equador, estima-se uma economia de cerca 30% em combustível. Se desse certo, a base de Alcântara se transformaria na única concorrente do Centro Espacial de Kourou, localizado na Guiana Francesa. O acidente atrasou o nosso programa espacial em décadas.
Após o descobrimento do pré-sal a Quarta Frota americana, responsável pelo patrulhamento do atlântico sul foi reativada e eles deram uma chegadinha pela região, quase lançando ancora por aqui.
Estranhamente no leilão do campo gigante de Libra as grandes petroleiras americanas não se apresentaram. Por que elas não vieram? Será que é porque elas já sabem o que a gente ainda não sabe?
Ficar chocado com a descoberta das espionagens americana no Brasil, e ao resto do planeta, é no mínimo ingenuidade. Neste mundo, espiona mais quem pode mais. E o USA está no topo desta cadeia alimentar. Espionar vale grana; muitíssima grana.
Os russos, que também são protagonistas deste “modus vivendi” estão ressuscitando a velha e boa máquina de escrever. O serviço secreto comprou umas 20 máquinas para evitar possíveis vazamentos de informações através do uso de meios eletrônicos. E nós brasileiros o que faremos? Continuaremos vivendo ingenuamente e alegremente com a porta da nossa casa eternamente aberta, achando que todo o mundo é bonzinho e que bicho papão não existe?
Se assim for, estaremos fadados a ficar para sempre no nosso lugarzinho no pé da escada. E enquanto vamos sendo arapongados, continuamos dormindo em berço esplêndido. Bicho papão existe e vive dia e noite a nos espreitar.
Por uma questão de sobrevivência, era preciso saber como o outro grupo conseguia abater aquele animal tão grande e sem grandes problemas. Agora eles teriam comida por vários dias, e a depender do clima, por várias semanas. Que “nova tecnologia” seria aquela? Era necessário saber. E para saber era preciso olhar, espiar; espionar. Espionar foi um ato que certamente ajudou de sobrevivência da própria humanidade, servindo como um catalizador da nossa evolução tecnológica.
Espionar o outro; o interesse pela vida alheia, e o prazer da bisbilhotice, parece fazer parte de natureza humana, estando encravada bem lá no fundo do nosso DNA.
Fala-se que os antigos Egípcios já possuíam um sistema de, digamos assim, “ aquisição de informações” bastante desenvolvido que servia ao estado, e pelo que se tem notícia, o primeiro serviço secreto oficial foi organizado por ordem do rei Luis XIV da França. De lá para cá, todo estadozinho que se preze tem o seu. Se não for para uso externo, é para uso interno, ou ambos.
Espionar o outro virou uma obsessão entre os estados constituídos. A guerra fria acelerou, refinou e sofisticou brutalmente os processos e as técnicas de espionagem. Espionagem e contraespionagem passaram a se misturar e já não se sabe mais quem começou primeiro. Na área das relações internacionais parece que a melhor defesa não é o ataque. É a espionagem.
Durante este longo tempo, parece que a única coisa que mudou foi a forma e a velocidade com que as “informações coletadas” chegam ao seu destino. O avanço tecnológico possibilitou uma espionagem “on line” sem a necessidade daqueles antigos agentes secretos que se infiltravam entre os inimigos, realizando todo o tipo de “trabalho sujo” que por ventura viesse a ocorrer.
Atualmente não se precisa mais enforcar ou decapitar o espião pilhado com a mão na massa. Se alguma coisa dá errado, é só desligar o sistema e fazer cara de desentendido quando acossado por algum repórter.
Hoje não adianta chorar nem fazer biquinho. Não adianta criptografar ou comprar um sistema especial qualquer. Quem vai lhe vender essa tecnologia é o mesmo que lhe espiona.
Dizem que a nossa saída para o espaço, através da base de Alcântara no Maranhão, sofreu uma “interferência” francesa. Oficialmente, a explosão foi provocada por uma pane elétrica que causou ignição antecipada de um dos propulsores do foguete. A localização da base brasileira é considerada uma das melhores do mundo para o lançamento de foguetes com satélites comerciais, pois com a proximidade ao Equador, estima-se uma economia de cerca 30% em combustível. Se desse certo, a base de Alcântara se transformaria na única concorrente do Centro Espacial de Kourou, localizado na Guiana Francesa. O acidente atrasou o nosso programa espacial em décadas.
Após o descobrimento do pré-sal a Quarta Frota americana, responsável pelo patrulhamento do atlântico sul foi reativada e eles deram uma chegadinha pela região, quase lançando ancora por aqui.
Estranhamente no leilão do campo gigante de Libra as grandes petroleiras americanas não se apresentaram. Por que elas não vieram? Será que é porque elas já sabem o que a gente ainda não sabe?
Ficar chocado com a descoberta das espionagens americana no Brasil, e ao resto do planeta, é no mínimo ingenuidade. Neste mundo, espiona mais quem pode mais. E o USA está no topo desta cadeia alimentar. Espionar vale grana; muitíssima grana.
Os russos, que também são protagonistas deste “modus vivendi” estão ressuscitando a velha e boa máquina de escrever. O serviço secreto comprou umas 20 máquinas para evitar possíveis vazamentos de informações através do uso de meios eletrônicos. E nós brasileiros o que faremos? Continuaremos vivendo ingenuamente e alegremente com a porta da nossa casa eternamente aberta, achando que todo o mundo é bonzinho e que bicho papão não existe?
Se assim for, estaremos fadados a ficar para sempre no nosso lugarzinho no pé da escada. E enquanto vamos sendo arapongados, continuamos dormindo em berço esplêndido. Bicho papão existe e vive dia e noite a nos espreitar.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Cruzando o rio.
Hoje a Sra.Janet Yellen, está sendo sabatinada pelo senado norte-americano
para se tornar a primeira mulher a presidir o Federal Reserve , FED, onde atualmente ela é a vice-presidente.
Neste caso, a “entrevista” com o senado é um mero pró-forma. Basta olhar o extenso currículo da sabatinada.
Ela se formou em economia na Brow University em 1967 com honras summa cum laude - a maior delas -, indicando a máxima qualificação possível em uma titulação universitária. Em 1971, ela recebeu o seu PhD na Yale Universidade. A economista foi ainda professora assistente em Harvard entre 1971 e 1976 e economista do Federal Reserve Board of Governor entre 1977 e 1978. Além disso, Yellen também foi integrante do Comitê de Política Econômica da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) entre 1997 e 1999.
Yellen pertenceu ao grupo de conselheiros econômicos no governo de Bill Clinton, entre 1997 e 1999. Ela lecionou ainda na Universidade de Harvard e na London School of Economics, duas das principais instituições de ensino do mundo. Atualmente, ela é professora emérita da Universidade de Berkeley.
Atualmente, a economista possui uma cadeira no Conselho de Governadores do Federal Reserve. Ela é membro do Conselho de Relações Exteriores e da Academia norte-americana de Artes e Ciências. Ela é uma veterana do Fed, trabalhando tanto no Conselho de Administração e também como presidente da autoridade em São Francisco. Ou seja, ela possui experiência tanto em Washington quanto nos bancos regionais.
Yellen é descrita por uma amiga como uma "pequena senhora com um grande QI"(Quociente de inteligência; não confundir!)".. As suas anotações de aula, feitas nas aulas de James Tobin, economista keynesiano ganhador do Nobel de 1981, na Universidade de Yale, eram tão claras que serviram como guia de estudos para gerações de alunos da pós-graduação. Atualmente escreve artigos frequentemente com George Alerkof, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001.
Com todo este currículo, quem deveria estar sabatinando quem ?
Mas é certo que o desafio que Janet Yellen irá enfrentar não será fácil e ela poderá até ser levada pelas fortes correntezas deste imenso rio, que é a economia americana. Mas que parece ser uma pessoa altamente preparada e qualificada para assumir o posto máximo desta gigantesca economia.
É por essas e outras, que as coisas costumam dar certo para os USA.
Se não for assim, teremos apenas ilusionismo e pura pirotecnia.
Este assunto, me fez lembrar de uma história:
- Encontraram-se a beira de um rio, um mago, um yogue e um mestre zen. (Aqui faço um parênteses para explicar que a pratica do zen japonês não é viver a vida absorto da realidade, como ficou tipificado no ocidente, e sim vivê-la profundamente em todos os seus aspectos, em plena consciência). Continuando...........
O yogue disse: “Vou mostrar à vocês como se atravessa um rio”. Elevou-se no ar e pousou na outra margem. Então o mago disse: “Isso não é nada”. Foi até a beira do rio e foi caminhando por sobre a água até o outro lado. O mestre zen, olhando tudo aquilo, arregaçou a roupa, entrou no rio e foi com muita dificuldade, caindo, tropeçando, nadando, até que chegou a outra margem todo ensopado. Começou a torcer a roupa, olhou para os dois e disse:
-“Vocês não sabem nada sobre atravessar um rio”
Referenciasda informações: Infomoney
Neste caso, a “entrevista” com o senado é um mero pró-forma. Basta olhar o extenso currículo da sabatinada.
Ela se formou em economia na Brow University em 1967 com honras summa cum laude - a maior delas -, indicando a máxima qualificação possível em uma titulação universitária. Em 1971, ela recebeu o seu PhD na Yale Universidade. A economista foi ainda professora assistente em Harvard entre 1971 e 1976 e economista do Federal Reserve Board of Governor entre 1977 e 1978. Além disso, Yellen também foi integrante do Comitê de Política Econômica da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) entre 1997 e 1999.
Yellen pertenceu ao grupo de conselheiros econômicos no governo de Bill Clinton, entre 1997 e 1999. Ela lecionou ainda na Universidade de Harvard e na London School of Economics, duas das principais instituições de ensino do mundo. Atualmente, ela é professora emérita da Universidade de Berkeley.
Atualmente, a economista possui uma cadeira no Conselho de Governadores do Federal Reserve. Ela é membro do Conselho de Relações Exteriores e da Academia norte-americana de Artes e Ciências. Ela é uma veterana do Fed, trabalhando tanto no Conselho de Administração e também como presidente da autoridade em São Francisco. Ou seja, ela possui experiência tanto em Washington quanto nos bancos regionais.
Yellen é descrita por uma amiga como uma "pequena senhora com um grande QI"(Quociente de inteligência; não confundir!)".. As suas anotações de aula, feitas nas aulas de James Tobin, economista keynesiano ganhador do Nobel de 1981, na Universidade de Yale, eram tão claras que serviram como guia de estudos para gerações de alunos da pós-graduação. Atualmente escreve artigos frequentemente com George Alerkof, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001.
Com todo este currículo, quem deveria estar sabatinando quem ?
Mas é certo que o desafio que Janet Yellen irá enfrentar não será fácil e ela poderá até ser levada pelas fortes correntezas deste imenso rio, que é a economia americana. Mas que parece ser uma pessoa altamente preparada e qualificada para assumir o posto máximo desta gigantesca economia.
É por essas e outras, que as coisas costumam dar certo para os USA.
Se não for assim, teremos apenas ilusionismo e pura pirotecnia.
Este assunto, me fez lembrar de uma história:
- Encontraram-se a beira de um rio, um mago, um yogue e um mestre zen. (Aqui faço um parênteses para explicar que a pratica do zen japonês não é viver a vida absorto da realidade, como ficou tipificado no ocidente, e sim vivê-la profundamente em todos os seus aspectos, em plena consciência). Continuando...........
O yogue disse: “Vou mostrar à vocês como se atravessa um rio”. Elevou-se no ar e pousou na outra margem. Então o mago disse: “Isso não é nada”. Foi até a beira do rio e foi caminhando por sobre a água até o outro lado. O mestre zen, olhando tudo aquilo, arregaçou a roupa, entrou no rio e foi com muita dificuldade, caindo, tropeçando, nadando, até que chegou a outra margem todo ensopado. Começou a torcer a roupa, olhou para os dois e disse:
-“Vocês não sabem nada sobre atravessar um rio”
Referenciasda informações: Infomoney
terça-feira, 12 de novembro de 2013
O Santo.
Totalmente desesperado com o que lhe havia acontecido, Vitório ficou instantaneamente prostrado perante aquele inesperado e terrível infortúnio.
Verdadeiro homem de bem, Vitório sempre foi uma pessoa cordata. Excelente marido e bom pai, ele era uma daquelas pessoas que vivem exclusivamente para a família. A sua boa índole levava-o a paparicar até mesmo os seus sogros.
Sempre tranqüilo e com um leve sorriso nos lábios, ironizava quando seus amigos mais chegados caçoavam sobre a sua forma de ser:
- Ser assim não faz mal a ninguém! Além do mais, a gente termina marcando sempre alguns pontinhos. Nunca e sabe quando você vai precisar deles.
Dizia ele num tom quase profético.
Assim era Vitório. Um homem sério, daqueles que pouco se vê por aí. Mas tinha um defeito, um único defeito. Defeito este que ele escondia de todos. Não podia ver um rabo de saia que enlouquecia.
Quando isso acontecia, entrava em um estado psicológico febril. Sua mente passava a trabalhar como a de um enxadrista e de forma frenética, tratando logo de elaborar um plano complexo, onde as mais variadas possibilidades eram analisadas. Criava uma verdadeira trama, tudo para que sua vítima não tivesse a mínima chance. Vitório vibrava durante a formulação dos seus planos, sendo que o planejamento, por si só, já se transformavam em grande fonte de prazer.
Quando concluía pensava satisfeito:
- Essa é galinha morta! Já esta no papo.
Através de movimentos sinuosos e dissimulados, na tentativa de ludibriar a sua vítima, ele partia para o ataque. Mas, sempre por algum motivo, por mais que ele tentasse elaborar um plano perfeito, alguma coisa saía errada. Consternado e frustrado, Vitório, via a sua presa escapar-lhe por entre as frestas de sua armadilha.
Mas havia um plano, este sim, infalível. Com ele os seus anseios mais secretos nunca haviam sido frustrados.
Como homem de negócios, sempre que ganhava algum bom dinheiro extra, guardava-o sem dizer nada à esposa. No momento oportuno fazia uma “viagem comercial” para a capital, onde dizia ter negócios.
Chegando lá á noite, ia direto para uma determinada “casa”, onde já era conhecido por todas as “meninas”. Elas o chamavam de Castelo, que era o seu ultimo nome. Quando chegava, famoso por suas gorjetas polpudas, a voz corria entre elas: - Castelo chegou, Castelo chegou!
E assim Castelo se entregava totalmente ao prazer e a esbórnia. Passava toda a noite e parte do dia.
Inteiramente saciado nos seus instintos mais básicos, logo retornava para casa e, naturalmente, com grana do seu negócio bem sucedido.
De voltava, sempre levava algo singelo para sua esposa Marlene, e nunca esquecia as lembrancinhas dos seus amados sogros.
Como era de hábito, Marlene já sabia que logo depois, Vitorio, como um pombinho apaixonado, iria sair com ela para lhe comprar um grande presente com o dinheiro que ele havia ganhado na tal “viagem comercial”.
Sim, esse era um plano infalível, Não havia o que dar errado e todos ficavam felizes e ansiosos pela sua próxima ida.
Mas, um dia, algo aconteceu. Ao retornar de uma delas e ao chegar em casa, Vitório deparou-se com toda a família reunida na sala, em frente da televisão. Lá estavam a esposa, os filhos, sogro e, naturalmente, a sogra. Todos com cara de que alguma coisa muito séria havia ocorrido.
Ao sentir o clima um tanto quanto pesado, Vitório, como sempre fazia pronunciou, porém desta vez meio desconfiado:
- Minha lindinha, olhe o que eu trouxe para você!
Ele trazia para sua mulher uma cestinha de caqui.
Nada poderia ser mais ingênuo e dissimulado que uma cestinha de caqui.
Ao vê-lo, Marlene, em um estado totalmente colérico, fuzilou sem piedade:
- Seu miserável! Já estamos sabendo de tudo! Passou tudo na televisão. Que vergonha! Que vergonha!
E...e ....e. e tire esta cestinha de caqui da minha frente seu, seu,.........seu miserável.
E lá estava a televisão repetindo a cena mais uma vez, em um daqueles programas policiais. Naquele dia, por azar de Vitório, a policia tinha dado uma batida na casa das meninas, e recolhido todos para averiguações. Vitório aparecia na TV saindo do local ainda se vestindo e carregando seus sapatos. Devido há situação que se encontrava, ele não havia percebido a presença da televisão.
Finalmente, o plano infalível tinha dado zebra.
Totalmente desesperado com o que lhe havia acontecido, Vitório ficou instantaneamente prostrado perante aquele inesperado e terrível infortúnio.
Atônito por ter sido descoberto, e ainda segurando a cestinha de caqui, balbuciou completamente atordoado:
- Marlene, não fale assim comigo, não fale assim comigo.
- Você sabe que sou um santo!
Você sabe que sou um santo!
E lá do fundo da sala ouviu-se uma voz dizendo:
- Eu é que nunca acreditei nos mimos deste canalha.
Era a sogra.
E por causa desse veredicto, Vitório nunca conseguiu resgatar os seus “pontinhos acumulados”.
Claudio Sarnelli
28/04/2013
Verdadeiro homem de bem, Vitório sempre foi uma pessoa cordata. Excelente marido e bom pai, ele era uma daquelas pessoas que vivem exclusivamente para a família. A sua boa índole levava-o a paparicar até mesmo os seus sogros.
Sempre tranqüilo e com um leve sorriso nos lábios, ironizava quando seus amigos mais chegados caçoavam sobre a sua forma de ser:
- Ser assim não faz mal a ninguém! Além do mais, a gente termina marcando sempre alguns pontinhos. Nunca e sabe quando você vai precisar deles.
Dizia ele num tom quase profético.
Assim era Vitório. Um homem sério, daqueles que pouco se vê por aí. Mas tinha um defeito, um único defeito. Defeito este que ele escondia de todos. Não podia ver um rabo de saia que enlouquecia.
Quando isso acontecia, entrava em um estado psicológico febril. Sua mente passava a trabalhar como a de um enxadrista e de forma frenética, tratando logo de elaborar um plano complexo, onde as mais variadas possibilidades eram analisadas. Criava uma verdadeira trama, tudo para que sua vítima não tivesse a mínima chance. Vitório vibrava durante a formulação dos seus planos, sendo que o planejamento, por si só, já se transformavam em grande fonte de prazer.
Quando concluía pensava satisfeito:
- Essa é galinha morta! Já esta no papo.
Através de movimentos sinuosos e dissimulados, na tentativa de ludibriar a sua vítima, ele partia para o ataque. Mas, sempre por algum motivo, por mais que ele tentasse elaborar um plano perfeito, alguma coisa saía errada. Consternado e frustrado, Vitório, via a sua presa escapar-lhe por entre as frestas de sua armadilha.
Mas havia um plano, este sim, infalível. Com ele os seus anseios mais secretos nunca haviam sido frustrados.
Como homem de negócios, sempre que ganhava algum bom dinheiro extra, guardava-o sem dizer nada à esposa. No momento oportuno fazia uma “viagem comercial” para a capital, onde dizia ter negócios.
Chegando lá á noite, ia direto para uma determinada “casa”, onde já era conhecido por todas as “meninas”. Elas o chamavam de Castelo, que era o seu ultimo nome. Quando chegava, famoso por suas gorjetas polpudas, a voz corria entre elas: - Castelo chegou, Castelo chegou!
E assim Castelo se entregava totalmente ao prazer e a esbórnia. Passava toda a noite e parte do dia.
Inteiramente saciado nos seus instintos mais básicos, logo retornava para casa e, naturalmente, com grana do seu negócio bem sucedido.
De voltava, sempre levava algo singelo para sua esposa Marlene, e nunca esquecia as lembrancinhas dos seus amados sogros.
Como era de hábito, Marlene já sabia que logo depois, Vitorio, como um pombinho apaixonado, iria sair com ela para lhe comprar um grande presente com o dinheiro que ele havia ganhado na tal “viagem comercial”.
Sim, esse era um plano infalível, Não havia o que dar errado e todos ficavam felizes e ansiosos pela sua próxima ida.
Mas, um dia, algo aconteceu. Ao retornar de uma delas e ao chegar em casa, Vitório deparou-se com toda a família reunida na sala, em frente da televisão. Lá estavam a esposa, os filhos, sogro e, naturalmente, a sogra. Todos com cara de que alguma coisa muito séria havia ocorrido.
Ao sentir o clima um tanto quanto pesado, Vitório, como sempre fazia pronunciou, porém desta vez meio desconfiado:
- Minha lindinha, olhe o que eu trouxe para você!
Ele trazia para sua mulher uma cestinha de caqui.
Nada poderia ser mais ingênuo e dissimulado que uma cestinha de caqui.
Ao vê-lo, Marlene, em um estado totalmente colérico, fuzilou sem piedade:
- Seu miserável! Já estamos sabendo de tudo! Passou tudo na televisão. Que vergonha! Que vergonha!
E...e ....e. e tire esta cestinha de caqui da minha frente seu, seu,.........seu miserável.
E lá estava a televisão repetindo a cena mais uma vez, em um daqueles programas policiais. Naquele dia, por azar de Vitório, a policia tinha dado uma batida na casa das meninas, e recolhido todos para averiguações. Vitório aparecia na TV saindo do local ainda se vestindo e carregando seus sapatos. Devido há situação que se encontrava, ele não havia percebido a presença da televisão.
Finalmente, o plano infalível tinha dado zebra.
Totalmente desesperado com o que lhe havia acontecido, Vitório ficou instantaneamente prostrado perante aquele inesperado e terrível infortúnio.
Atônito por ter sido descoberto, e ainda segurando a cestinha de caqui, balbuciou completamente atordoado:
- Marlene, não fale assim comigo, não fale assim comigo.
- Você sabe que sou um santo!
Você sabe que sou um santo!
E lá do fundo da sala ouviu-se uma voz dizendo:
- Eu é que nunca acreditei nos mimos deste canalha.
Era a sogra.
E por causa desse veredicto, Vitório nunca conseguiu resgatar os seus “pontinhos acumulados”.
Claudio Sarnelli
28/04/2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
O Papa é pop.
Talvez o Papa Bento XVI com sua renuncia, tenha deixado para seus fiéis e para o mundo corporativo, o maior legado e ensinamento que um papa até hoje tenha preconizado.
Mesmo com toda autoridade que lhe foi conferida, ``representante de Deus na terra``, quem sabe, tenha percebido, que mesmo ele, teria atingido o seu limite de competência em conduzir e gerir sua instituição da melhor forma possível. Por isso pediu a sua mitra e vai sair agora no próximo dia 28.
Atualmente como as informações são abundantes, e as noticias rápidas e superficiais, propiciou a criação e disseminação da figuras dos `` especialistas superficiais``. ”Especialistas superficiais” são pessoas com pouco conhecimento e que se julgam especialistas em tudo, desconsiderando totalmente a existência do chamado “limite de competência”.
No mundo corporativo, estas pessoas são um verdadeiro perigo, um verdadeiro desastre. Neste ambiente não basta o querer. É fundamental ter o conhecimento e a experiência para realizar aquilo a que se propõe. Tem que ser verdadeiramente competente naquilo que se faz.
Atualmente, a contratação de um executivo por uma empresa privada, após os primeiros contatos, pode durar meses. Durante este tempo, não só o seu “curriculum” é analisado, mas o seu comportamento pretérito, a relação com a sua família, o que ele anda lendo, suas manias, etc. Tudo isso passou a ter uma importância capital na contratação destes profissionais.
Isto faz sentido e se torna necessário, porque hoje as corporações modernas, são vistas pelos especialistas como um organismo vivo, onde cada pessoa desta instituição atua como um pequeno órgão de um sistema maior. O gestor precisa ter uma visão sistêmica percebendo o macro e o micro com a mesma intensidade. Ele precisa atuar de forma a antever, identificar os problemas e criar as condições para que eles sejam resolvidos. Para isso é necessário conhecimento e experiência. Não se admite nas corporações modernas a figura dos “especialistas superficiais”.
A formação de novos gerentes nestes ambientes é feita com muito cuidado. Os mais velhos só ascendem se forem preparados e se prepararem os seus substitutos. A manutenção de sua ascensão depende diretamente de uma resposta eficiente do seu substituto. Assim é o mundo corporativo moderno.
Mas em muitas empresas as coisas não funcionam assim. Por exemplo, temos as empresas familiares. As estatísticas mostram que atualmente no mundo, de 10 destas empresas abertas, apenas 3 sobrevivem. Ou seja; não basta ser pai, irmão, primo, amigo, amigo do amigo e compadre. Não basta apenas ter um laço afetivo forte para vencer.
O mercado é exigente e cruel.
Para ele, só a competência salva!
“O pop não poupa ninguém.”
“O Papa é pop.
O pop não poupa ninguém”
Engenheiros do hawaii
Claudio Sarnelli
17/02/2013
Mesmo com toda autoridade que lhe foi conferida, ``representante de Deus na terra``, quem sabe, tenha percebido, que mesmo ele, teria atingido o seu limite de competência em conduzir e gerir sua instituição da melhor forma possível. Por isso pediu a sua mitra e vai sair agora no próximo dia 28.
Atualmente como as informações são abundantes, e as noticias rápidas e superficiais, propiciou a criação e disseminação da figuras dos `` especialistas superficiais``. ”Especialistas superficiais” são pessoas com pouco conhecimento e que se julgam especialistas em tudo, desconsiderando totalmente a existência do chamado “limite de competência”.
No mundo corporativo, estas pessoas são um verdadeiro perigo, um verdadeiro desastre. Neste ambiente não basta o querer. É fundamental ter o conhecimento e a experiência para realizar aquilo a que se propõe. Tem que ser verdadeiramente competente naquilo que se faz.
Atualmente, a contratação de um executivo por uma empresa privada, após os primeiros contatos, pode durar meses. Durante este tempo, não só o seu “curriculum” é analisado, mas o seu comportamento pretérito, a relação com a sua família, o que ele anda lendo, suas manias, etc. Tudo isso passou a ter uma importância capital na contratação destes profissionais.
Isto faz sentido e se torna necessário, porque hoje as corporações modernas, são vistas pelos especialistas como um organismo vivo, onde cada pessoa desta instituição atua como um pequeno órgão de um sistema maior. O gestor precisa ter uma visão sistêmica percebendo o macro e o micro com a mesma intensidade. Ele precisa atuar de forma a antever, identificar os problemas e criar as condições para que eles sejam resolvidos. Para isso é necessário conhecimento e experiência. Não se admite nas corporações modernas a figura dos “especialistas superficiais”.
A formação de novos gerentes nestes ambientes é feita com muito cuidado. Os mais velhos só ascendem se forem preparados e se prepararem os seus substitutos. A manutenção de sua ascensão depende diretamente de uma resposta eficiente do seu substituto. Assim é o mundo corporativo moderno.
Mas em muitas empresas as coisas não funcionam assim. Por exemplo, temos as empresas familiares. As estatísticas mostram que atualmente no mundo, de 10 destas empresas abertas, apenas 3 sobrevivem. Ou seja; não basta ser pai, irmão, primo, amigo, amigo do amigo e compadre. Não basta apenas ter um laço afetivo forte para vencer.
O mercado é exigente e cruel.
Para ele, só a competência salva!
“O pop não poupa ninguém.”
“O Papa é pop.
O pop não poupa ninguém”
Engenheiros do hawaii
Claudio Sarnelli
17/02/2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Histórias.
Hoje li no jornal que a marca Varig irá sumir até abril de 2014. A Gol, atual dona da companhia, entende que os passageiros associam a marca Varig a aviões velhos e ultrapassados, mesmo sendo a frota composta por aeronaves novas e modernas.
Lendo isso, imediatamente comecei a viajar no tempo e a lembrar da antiga Varig. Ela, como a Petrobras ainda é, era um verdadeiro símbolo nacional. Como dizia a propaganda, era "uma estrela brasileira viajando pelos céus azuis do mundo", anunciando à todos, que nós brasileiros éramos também capazes. Em uma época em que o Brasil era apenas futebol, carnaval e café, a Varig viria a se tornar um verdadeiro orgulho para o Brasil.
Lembrei-me também do glamour que era viajar por esta companhia aérea e em seguida me veio a triste lembrança da sua falência. Isto me fez pensar como tudo na vida parece ser realmente instável, mutável e impermanente.
A Varig, durante a sua existência, chegou a se tornar uma das maiores e mais conhecidas companhias aéreas privadas do mundo, concorria até mesmo com a grande PanAm dos americanos.
Era famosa pelos seus serviços de bordo e sempre primou pelo requinte. Na sua Primeira Classe servia-se até caviar. Mas a Varig não era só isso, não era só caviar e champanhe. A Varig era competência.
O treinamento de seu pessoal sempre foi uma meta permanente da empresa. Ela não se preocupava só com os seus pilotos e comandantes. Para isso, implantou um Centro de Treinamento Operacional, conhecido internacionalmente como "Varig Flight Training Center", que era um centro integrado para treinamento das principais áreas operacionais da companhia, onde eram oferecidos mais de 60 cursos diferentes.
Seu setor de Engenharia e Manutenção era reconhecido pelo seu alto padrão técnico. Prestava serviços também para diversas outras empresas nacionais e internacionais.
Durante os anos áureos, seus escritórios de atendimento no exterior eram considerados verdadeiros consulados extras-oficiais do país, pois prestavam os mais variados serviços de apoio ao público brasileiro em viagem.
Apesar de toda a expansão da empresa, incorporação de inovações tecnológicas, compra de aviões cada vez mais novos e serviços sofisticados a Varig começou a apresentar balanços negativos. Os atentados de 11de setembro que abalaram, de forma geral, toda a aviação comercial do mundo, não pouparam a Varig.
Em uma tentativa de recuperação, chegou-se até a mudar a sua identidade visual, adotando a famosa "estrela dourada".
Com o aprofundamento da crise, supostamente devido ao reflexo do congelamento das tarifas aéreas pelo governo, nas décadas de 1980 e 1990, completadas por uma administração ineficiente que não tomava qualquer atitude para evitar o crescimento da crise e reduzir as dívidas da empresa, a Varig "voava" cada vez mais rápido para a falência.
Nesta época, só o governo federal devia mais de 4 bilhões de reais ao grupo. Além disso, a Varig começou a perder espaço para outra empresas que adotaram o modelo Low Cost que conquistou definitivamente o público brasileiro.
Após sobreviver por 79 anos, em 2006 começaram as demissões, totalizando somente em um, dia mais de 5000 cortes de postos de trabalho.
A Fundação Ruben Berta, inicialmente chamada de Fundação dos Funcionários da Varig detinha o controle acionário da companhia. O seu objetivo principal era atuar como um fundo de previdência, prover benefícios médicos e assistenciais aos seus funcionários. A fundação também tinha um caráter filantrópico possibilitando ao cidadão comum, o acesso a medicamentos de necessidade vital sem similar no Brasil, oriundos dos Estados Unidos e Europa. Ela assumia a intermediação entre pacientes e distribuidores.
Outro caso emblemático da aviação brasileira foi o da Panair do Brasil, que após 35 anos de existência da noite para o dia teve o seu fim decretado pelo governo.
A destruição desta companhia teve a influência direta da política da época. Existia uma perseguição do regime militar contra seus proprietários, estes também, donos da TV Excelsior, que foi igualmente fechada por ordem da ditadura militar brasileira.
Ao contrário da Varig, a Panair do Brasil tinha um acervo gigantesco que superava em muito o seu passivo. Ela era dona da Celma, uma avançada oficina de retificação de motores que é até hoje é a maior da América Latina, e que atendia não apenas a Panair, mas também outras empresas e a própria Força Aérea Brasileira.
A Panair do Brasil tinha hangares equipados com tecnologia de ponta, de nível comparável a países de 1º mundo, e uma rede de agências consulares instaladas nas mais importantes capitais européias. Também era responsável por toda a infra-estrutura de telecomunicações aeronáuticas do país e por boa parte dos aeroportos do Norte/Nordeste, foram construídos com recursos próprios.
Os ex-funcionários da Panair do Brasil tinham orgulho de trabalhar para aquela companhia e com o seu fechamento, desde 1966, cerca de 400 pessoas passaram a se reunir anualmente, para lembrar os velhos tempos, celebrar e rememorar as agruras e as glórias da aeronáutica brasileira. Porém tudo isso virou passado, tudo virou pó, já não existe mais.
A impermanência das coisas é um fator natural da vida. Porém quando adicionamos a ela a política e grandes doses de incompetência, geramos uma mistura que passa a ser um catalisador da própria impermanência.
Isto foi o que aconteceu com estas duas grandes companhias aéreas brasileiras. A partir destas ocorrências a aviação comercial brasileira nunca mais foi a mesma.
Claudio Sarnelli
25/10/2013
Lendo isso, imediatamente comecei a viajar no tempo e a lembrar da antiga Varig. Ela, como a Petrobras ainda é, era um verdadeiro símbolo nacional. Como dizia a propaganda, era "uma estrela brasileira viajando pelos céus azuis do mundo", anunciando à todos, que nós brasileiros éramos também capazes. Em uma época em que o Brasil era apenas futebol, carnaval e café, a Varig viria a se tornar um verdadeiro orgulho para o Brasil.
Lembrei-me também do glamour que era viajar por esta companhia aérea e em seguida me veio a triste lembrança da sua falência. Isto me fez pensar como tudo na vida parece ser realmente instável, mutável e impermanente.
A Varig, durante a sua existência, chegou a se tornar uma das maiores e mais conhecidas companhias aéreas privadas do mundo, concorria até mesmo com a grande PanAm dos americanos.
Era famosa pelos seus serviços de bordo e sempre primou pelo requinte. Na sua Primeira Classe servia-se até caviar. Mas a Varig não era só isso, não era só caviar e champanhe. A Varig era competência.
O treinamento de seu pessoal sempre foi uma meta permanente da empresa. Ela não se preocupava só com os seus pilotos e comandantes. Para isso, implantou um Centro de Treinamento Operacional, conhecido internacionalmente como "Varig Flight Training Center", que era um centro integrado para treinamento das principais áreas operacionais da companhia, onde eram oferecidos mais de 60 cursos diferentes.
Seu setor de Engenharia e Manutenção era reconhecido pelo seu alto padrão técnico. Prestava serviços também para diversas outras empresas nacionais e internacionais.
Durante os anos áureos, seus escritórios de atendimento no exterior eram considerados verdadeiros consulados extras-oficiais do país, pois prestavam os mais variados serviços de apoio ao público brasileiro em viagem.
Apesar de toda a expansão da empresa, incorporação de inovações tecnológicas, compra de aviões cada vez mais novos e serviços sofisticados a Varig começou a apresentar balanços negativos. Os atentados de 11de setembro que abalaram, de forma geral, toda a aviação comercial do mundo, não pouparam a Varig.
Em uma tentativa de recuperação, chegou-se até a mudar a sua identidade visual, adotando a famosa "estrela dourada".
Com o aprofundamento da crise, supostamente devido ao reflexo do congelamento das tarifas aéreas pelo governo, nas décadas de 1980 e 1990, completadas por uma administração ineficiente que não tomava qualquer atitude para evitar o crescimento da crise e reduzir as dívidas da empresa, a Varig "voava" cada vez mais rápido para a falência.
Nesta época, só o governo federal devia mais de 4 bilhões de reais ao grupo. Além disso, a Varig começou a perder espaço para outra empresas que adotaram o modelo Low Cost que conquistou definitivamente o público brasileiro.
Após sobreviver por 79 anos, em 2006 começaram as demissões, totalizando somente em um, dia mais de 5000 cortes de postos de trabalho.
A Fundação Ruben Berta, inicialmente chamada de Fundação dos Funcionários da Varig detinha o controle acionário da companhia. O seu objetivo principal era atuar como um fundo de previdência, prover benefícios médicos e assistenciais aos seus funcionários. A fundação também tinha um caráter filantrópico possibilitando ao cidadão comum, o acesso a medicamentos de necessidade vital sem similar no Brasil, oriundos dos Estados Unidos e Europa. Ela assumia a intermediação entre pacientes e distribuidores.
Outro caso emblemático da aviação brasileira foi o da Panair do Brasil, que após 35 anos de existência da noite para o dia teve o seu fim decretado pelo governo.
A destruição desta companhia teve a influência direta da política da época. Existia uma perseguição do regime militar contra seus proprietários, estes também, donos da TV Excelsior, que foi igualmente fechada por ordem da ditadura militar brasileira.
Ao contrário da Varig, a Panair do Brasil tinha um acervo gigantesco que superava em muito o seu passivo. Ela era dona da Celma, uma avançada oficina de retificação de motores que é até hoje é a maior da América Latina, e que atendia não apenas a Panair, mas também outras empresas e a própria Força Aérea Brasileira.
A Panair do Brasil tinha hangares equipados com tecnologia de ponta, de nível comparável a países de 1º mundo, e uma rede de agências consulares instaladas nas mais importantes capitais européias. Também era responsável por toda a infra-estrutura de telecomunicações aeronáuticas do país e por boa parte dos aeroportos do Norte/Nordeste, foram construídos com recursos próprios.
Os ex-funcionários da Panair do Brasil tinham orgulho de trabalhar para aquela companhia e com o seu fechamento, desde 1966, cerca de 400 pessoas passaram a se reunir anualmente, para lembrar os velhos tempos, celebrar e rememorar as agruras e as glórias da aeronáutica brasileira. Porém tudo isso virou passado, tudo virou pó, já não existe mais.
A impermanência das coisas é um fator natural da vida. Porém quando adicionamos a ela a política e grandes doses de incompetência, geramos uma mistura que passa a ser um catalisador da própria impermanência.
Isto foi o que aconteceu com estas duas grandes companhias aéreas brasileiras. A partir destas ocorrências a aviação comercial brasileira nunca mais foi a mesma.
Claudio Sarnelli
25/10/2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
O espírito do Natal.
Parafraseando Nelson Rodrigues que disse que “o mineiro só é solidário no câncer”,
eu diria que nós, de modo geral, só somos “solidários” no natal.
Durante o resto do ano o que vemos é a intolerância, a inveja, a arrogância e até mesmo o desprezo com o próximo.
Durante todo o ano é um verdadeiro pega-prá-capar.
Quando chega o natal, parece que sendo solidário e desejando ao outro um simples “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”, pensando cinco minutos na humanidade, na paz do planeta, ou dando uma lata de leite na esquina, a um pobre diabo que passa fome, a pessoa estaria compensando todo um comportamento individualista e egoísta que sustentou durante todo ano.
Os votos natalinos, de alguns, me soa como uma tentativa da aplicação do ensinamento cristão, onde se pode fazer o mal por toda uma vida, mas se houver o arrependimento na hora da morte, automaticamente estará salvo. No caso, sendo solidário ou fazendo um bem no natal, eu garanto uma consciência tranqüila pelos próximos doze meses.
Nesta época é comum você receber visitas, ou ser cumprimentado por pessoas que durante todo o ano nem ao menos lhe olha na cara, ou pior, por pessoas que você sabe que passam todo o tempo falando mal de você e lhe criando situações indesejáveis.
Tivemos um colega de trabalho, que Deus o tenha, que durante todo o ano nunca lhe dirigia a palavra. Com seu nariz empinado passava sem ao menos lhe enxergar.
Na véspera do natal era certo. Lá estava ele, entrava na sua sala com toda humildade do mundo, lhe desejando um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, para você e paaaara toooda a sua família. Era uma emoção só! Era de correr lágrimas. Naquele momento glorioso ele externava toda a sua humildade e expunha, desnudadamente, a sua faceta humana.
Fazia questão de lhe dar um abraço, e daqueles bem apertado.
Incomodado com aquela situação que se repetia anualmente, certa vez quando ele entrou na minha sala, eu pulei da cadeira e gritei: - Esse ano não! Qual é a sua cara? Você passa por mim todo ano e nem me olha na cara. Agora como é natal vem me trazer seus votos natalinos e me dar um abraço.
-Cara, qual é a sua?
Ele, meio atordoado com a minha reação inesperada, e ainda meio atônito, deu meia-volta e voltou para a sua sala.
É claro que a partir daquela data não recebi mais a sua visita anual. Alguns dizem que ele após este caso parou com aquele seu habito natalino. Agora pergunto à vocês: - Será que ele caiu na real? Será que fui duro com ele? Em minha opinião, acho que não!
O que devemos entender é que não somos latrinas de consciências pesadas para recebermos as descargas negativas dos arrependimentos alheios em busca de salvação.
Quando desejamos um Feliz Natal, realmente devemos fazê-lo com todo o coração, desejando profundamente o melhor para aquela pessoa, porque senão ela certamente ela irá perceber a nossa hipocrisia.
Para você que está recebendo esta crônica, eu realmente lhe desejo muitas felicidades neste fim de ano e nos outros anos que estão por vir. Tenha certeza que é realmente de coração. Se assim não o fosse, você não estaria na minha lista de amigos.
* Nelson Rodrigues atribuía a frase “O mineiro só é solidário no câncer” á Otto Lara Rezende.
Durante o resto do ano o que vemos é a intolerância, a inveja, a arrogância e até mesmo o desprezo com o próximo.
Durante todo o ano é um verdadeiro pega-prá-capar.
Quando chega o natal, parece que sendo solidário e desejando ao outro um simples “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”, pensando cinco minutos na humanidade, na paz do planeta, ou dando uma lata de leite na esquina, a um pobre diabo que passa fome, a pessoa estaria compensando todo um comportamento individualista e egoísta que sustentou durante todo ano.
Os votos natalinos, de alguns, me soa como uma tentativa da aplicação do ensinamento cristão, onde se pode fazer o mal por toda uma vida, mas se houver o arrependimento na hora da morte, automaticamente estará salvo. No caso, sendo solidário ou fazendo um bem no natal, eu garanto uma consciência tranqüila pelos próximos doze meses.
Nesta época é comum você receber visitas, ou ser cumprimentado por pessoas que durante todo o ano nem ao menos lhe olha na cara, ou pior, por pessoas que você sabe que passam todo o tempo falando mal de você e lhe criando situações indesejáveis.
Tivemos um colega de trabalho, que Deus o tenha, que durante todo o ano nunca lhe dirigia a palavra. Com seu nariz empinado passava sem ao menos lhe enxergar.
Na véspera do natal era certo. Lá estava ele, entrava na sua sala com toda humildade do mundo, lhe desejando um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, para você e paaaara toooda a sua família. Era uma emoção só! Era de correr lágrimas. Naquele momento glorioso ele externava toda a sua humildade e expunha, desnudadamente, a sua faceta humana.
Fazia questão de lhe dar um abraço, e daqueles bem apertado.
Incomodado com aquela situação que se repetia anualmente, certa vez quando ele entrou na minha sala, eu pulei da cadeira e gritei: - Esse ano não! Qual é a sua cara? Você passa por mim todo ano e nem me olha na cara. Agora como é natal vem me trazer seus votos natalinos e me dar um abraço.
-Cara, qual é a sua?
Ele, meio atordoado com a minha reação inesperada, e ainda meio atônito, deu meia-volta e voltou para a sua sala.
É claro que a partir daquela data não recebi mais a sua visita anual. Alguns dizem que ele após este caso parou com aquele seu habito natalino. Agora pergunto à vocês: - Será que ele caiu na real? Será que fui duro com ele? Em minha opinião, acho que não!
O que devemos entender é que não somos latrinas de consciências pesadas para recebermos as descargas negativas dos arrependimentos alheios em busca de salvação.
Quando desejamos um Feliz Natal, realmente devemos fazê-lo com todo o coração, desejando profundamente o melhor para aquela pessoa, porque senão ela certamente ela irá perceber a nossa hipocrisia.
Para você que está recebendo esta crônica, eu realmente lhe desejo muitas felicidades neste fim de ano e nos outros anos que estão por vir. Tenha certeza que é realmente de coração. Se assim não o fosse, você não estaria na minha lista de amigos.
* Nelson Rodrigues atribuía a frase “O mineiro só é solidário no câncer” á Otto Lara Rezende.
Careca por um tempo.
Como a maioria já sabe, carequei geral.
Outro dia passando em frente a uma barbeira, parei, olhei, pensei e decidi entrar.
Sentei na cadeira e falei para o barbeiro:
- Passa a máquina zero!
Ele, com toda a calma olhou para mim, se curvou um pouco e perguntou num tom de muito respeito:
- O senhor tem certeza?
Eu sem pestanejar, pois era uma coisa que já de muito tempo queria fazer, respondi:
- Tenho sim! Manda brasa!
O resultado desse ato quase insano é uma experiência que vale a pena ser contada.
A primeira coisa que acontece quando você faz uma coisa assim, e vê cair o último fio de cabelo, é você sentir um verdadeiro vazio existencial. Definitivamente, aquele cara que estava sendo refletido no espelho não era mais você. Lá estava um desconhecido. Um estranho, um estrangeiro, um alienígena.
E agora? O que fazer?
Você sai da barbearia um pouco atordoado e fica por algum tempo repetindo para você mesmo: O que fazer agora? E agora o que fazer? Depois de muito pensar, veio a inspiração: O Google, o Google! Talvez o ele tenha a resposta! Ele tem resposta para tudo.
Por que não teria para um recém careca desesperado?
Depois de procurar um pouco, achei em um link com o resultado de uma pesquisa feita pela Universidade da Pensilvânia, que ao meu ver deve ter sido feita por cientistas carecas, explico mais adiante. A tal pesquisa sugere que homens que resolvem ficar carecas raspando a cabeça, parecem mais viris, poderosos e fisicamente mais fortes.
Isto era um bom alento, mas definitivamente não era assim que eu me sentia naquele momento.
Depois de alguns acontecimentos tive a certeza de que a pesquisa foi mesmo feita por cientistas carecas querendo valorizar a sua mercadoria, ou digamos, a sua falta de mercadoria.
A primeira coisa que aconteceu comigo foi quando cheguei em casa e escutei da minha mulher que me olhava de forma indignada:
- O que foi que você fez? Deste jeito não saio mais com você.
Aí eu pensei:
- É já vi que hoje não rolar nada. Não adianta nem tentar.
Ela estava certa. Imagine só, se você mesmo não se reconhece mais, imagine sua esposa. O cara que acaba de entra na casa é também um total desconhecido para ela.
Lá se foi o primeiro ponto positivo da gloriosa pesquisa Pensilvaniana.
Quando encontrei a minha filha menor de quatro anos, ela ficou olhando para mim de um modo estranho. Olhou, olhou, mas no final gritou: -É meu pai! É meu pai!. Bom, demorou mas pelo menos ela me reconheceu.
O problema apareceu quando pedi para ela entrar e ela me respondeu:
- Não vou entrar porque você está careca!
Neste momento me senti um leão sem juba. Dá para imaginar um leão sem juba? Se você olhar bem um leão, parece que toda a sua majestade repousa exclusivamente na juba. Tirando a juba parece que não sobra muita coisa.
Instantaneamente parecia que eu tinha perdido todo o meu poder sobre a minha alcatéia. Deste ponto de vista ela estava certa, quem levaria a sério um leão sem juba?
Mais uma vez, a nobre pesquisa errava.
No meu surto “privo de capelli” momentâneo, passei aquela primeira noite toda “inclaro”. Me olhava no espelho á todo instante tentando ver se o cabelo já tinha crescido um pouquinho e tentando calcular em quanto tempo ele voltaria ao normal. No outro dia, eu estava todo quebrado pela noite perdida. Fisicamente eu estava acabado. Tive que Passar três dias para me recuperar do ocorrido. O terceiro postulado da pesquisa capilar tinha também caído por terra.
Lá se foram as minhas três e únicas esperanças. No meio daquele desespero total me veio uma luz. Lembrei-me do “tempo”. Sim, ele, o tempo, só ele iria dar jeito nesta situação.
Era tudo muito simples. O negócio era ter calma. E como deveria mesmo aguardar e esperar, terminei ficando tranqüilo e saindo do meu surto capilar.
Agora que já me acostumei com a minha nova aparência, fico curtindo o crescimento da minha nova “cabeleira”. E olhando bem, até que não fiquei tão mal assim!
Mas o certo é que:
Raspar, nunca mais!
06/12/2012
Outro dia passando em frente a uma barbeira, parei, olhei, pensei e decidi entrar.
Sentei na cadeira e falei para o barbeiro:
- Passa a máquina zero!
Ele, com toda a calma olhou para mim, se curvou um pouco e perguntou num tom de muito respeito:
- O senhor tem certeza?
Eu sem pestanejar, pois era uma coisa que já de muito tempo queria fazer, respondi:
- Tenho sim! Manda brasa!
O resultado desse ato quase insano é uma experiência que vale a pena ser contada.
A primeira coisa que acontece quando você faz uma coisa assim, e vê cair o último fio de cabelo, é você sentir um verdadeiro vazio existencial. Definitivamente, aquele cara que estava sendo refletido no espelho não era mais você. Lá estava um desconhecido. Um estranho, um estrangeiro, um alienígena.
E agora? O que fazer?
Você sai da barbearia um pouco atordoado e fica por algum tempo repetindo para você mesmo: O que fazer agora? E agora o que fazer? Depois de muito pensar, veio a inspiração: O Google, o Google! Talvez o ele tenha a resposta! Ele tem resposta para tudo.
Por que não teria para um recém careca desesperado?
Depois de procurar um pouco, achei em um link com o resultado de uma pesquisa feita pela Universidade da Pensilvânia, que ao meu ver deve ter sido feita por cientistas carecas, explico mais adiante. A tal pesquisa sugere que homens que resolvem ficar carecas raspando a cabeça, parecem mais viris, poderosos e fisicamente mais fortes.
Isto era um bom alento, mas definitivamente não era assim que eu me sentia naquele momento.
Depois de alguns acontecimentos tive a certeza de que a pesquisa foi mesmo feita por cientistas carecas querendo valorizar a sua mercadoria, ou digamos, a sua falta de mercadoria.
A primeira coisa que aconteceu comigo foi quando cheguei em casa e escutei da minha mulher que me olhava de forma indignada:
- O que foi que você fez? Deste jeito não saio mais com você.
Aí eu pensei:
- É já vi que hoje não rolar nada. Não adianta nem tentar.
Ela estava certa. Imagine só, se você mesmo não se reconhece mais, imagine sua esposa. O cara que acaba de entra na casa é também um total desconhecido para ela.
Lá se foi o primeiro ponto positivo da gloriosa pesquisa Pensilvaniana.
Quando encontrei a minha filha menor de quatro anos, ela ficou olhando para mim de um modo estranho. Olhou, olhou, mas no final gritou: -É meu pai! É meu pai!. Bom, demorou mas pelo menos ela me reconheceu.
O problema apareceu quando pedi para ela entrar e ela me respondeu:
- Não vou entrar porque você está careca!
Neste momento me senti um leão sem juba. Dá para imaginar um leão sem juba? Se você olhar bem um leão, parece que toda a sua majestade repousa exclusivamente na juba. Tirando a juba parece que não sobra muita coisa.
Instantaneamente parecia que eu tinha perdido todo o meu poder sobre a minha alcatéia. Deste ponto de vista ela estava certa, quem levaria a sério um leão sem juba?
Mais uma vez, a nobre pesquisa errava.
No meu surto “privo de capelli” momentâneo, passei aquela primeira noite toda “inclaro”. Me olhava no espelho á todo instante tentando ver se o cabelo já tinha crescido um pouquinho e tentando calcular em quanto tempo ele voltaria ao normal. No outro dia, eu estava todo quebrado pela noite perdida. Fisicamente eu estava acabado. Tive que Passar três dias para me recuperar do ocorrido. O terceiro postulado da pesquisa capilar tinha também caído por terra.
Lá se foram as minhas três e únicas esperanças. No meio daquele desespero total me veio uma luz. Lembrei-me do “tempo”. Sim, ele, o tempo, só ele iria dar jeito nesta situação.
Era tudo muito simples. O negócio era ter calma. E como deveria mesmo aguardar e esperar, terminei ficando tranqüilo e saindo do meu surto capilar.
Agora que já me acostumei com a minha nova aparência, fico curtindo o crescimento da minha nova “cabeleira”. E olhando bem, até que não fiquei tão mal assim!
Mas o certo é que:
Raspar, nunca mais!
06/12/2012
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Deu no jornal!
O Globo publicou na semana passada uma reportagem em que dizia que uma empresa holandesa, a Mars One, pretende até 2023 instalar em Marte uma colônia humana. O principal detalhe deste projeto, e que chama muita atenção, por um “probleminha” de custos, é que a passagem dos astronautas será apenas de ida.
Tá pensando que é brincadeira? Não é não! É isso mesmo. Passagem só de ida.
Mesmo assim, já tem mais de 100 mil inscrições de voluntários querendo se mudar para o planeta vermelho para morar em pequenas cápsulas, provavelmente cedidas pelo BNH.
A idéia de mandar gente para Marte com passagem só de ida é me parece assustador. Mas os autores do projeto afirmam que isso não é nada de mais. Dizem que isto não seria mais estranho que uma passagem só de ida para os Estados Unidos em 1620, na época da colonização americana, e que a exploração, as descobertas e as viagens para o desconhecido fazem parte do próprio espírito humano.
Convenhamos, existe uma grande diferença entre os dois casos. Aposto, sem chances de errar, que nenhum dos donos da Mars One embarcaria em um vôo “one way” para Marte.
A proposta seria mandar inicialmente quatro pessoas “equipadas” com um pequeno reator nuclear debaixo do braço e um par de veículos. Presumo que pás e picaretas e band-aids devem fazer parte do kit básico de sobrevivência. Lá os “news marcianos” teriam que fabricar seu próprio oxigênio, cultivar alimentos, e até mesmo iniciar projetos de construção utilizando-se de matérias primas local, com o objetivo de acolher os futuros humanos que seriam enviados. Coisa leve, fácil de fazer, sem problema algum.
Periodicamente (até faltar grana) remessas de alimentos e suprimentos médicos seriam enviadas da terra aos nossos expedicionários.
No meio de todos os voluntários inscritos logicamente existem brasileiros. E como dito na reportagem por uma compatriota, ela “quer ter a oportunidade de experimentar uma nova forma de viver em uma “nova sociedade.
Tudo bem! Eu até posso entender estas questões filosóficas da natureza humana sobre a curiosidade pelo desconhecido, mas gostaria de fazer algumas perguntas:
O que há de errado com a velha Terra? Tá faltando espaço? Estão faltando alimentos? Está faltando privacidade?
Se o problema é a falta de privacidade, existem locais na Terra totalmente isolados, totalmente ermos, ótimos para se iniciar uma nova sociedade. Garanto que todos muito mais aprazíveis que qualquer lugar de Marte.
Por que ir morar lá?
Talvez o problema dos nossos aspirantes á marcianos, não seja propriamente a velha Terra, e sim a complicada natureza do ser humano que nela habita Conhecendo esta natureza, fica fácil de fazer algumas previsões.
Certamente se enviarmos inicialmente para Marte estas quatro pessoas, mesmo antes de chegar lá, uma delas vai querer ser o chefe, a outra para tirar proveito da situação vai se colocar na posição de “amigo do chefe” e a terceira, para não perder espaço, vai logo se candidatar a consultor marciano para assuntos outros. O que vacilar vai terminar fazendo todo o trabalho pesado. Lembram das pás e picaretas e dos bad-aids? Continuando.....: Se por um acaso faltar vaga na cápsula e só couberem três camas, as vagas certamente ficarão distribuídas da seguinte forma: uma para o chefe, uma para o "amigo do chefe” e a outra para o consultor.
Sem direito a sua vaga, o nosso quarto viajante, vai mesmo ter que dormir ao relento sem ao menos ter direito a um rodízio de “cama quente”.
Esta é a grande verdade sobre a natureza humana, “farinha pouca o meu pirão primeiro”. Ela é valida tanto aqui na terra, como em Marte ou em qualquer lugar do universo.
Basta apenas juntarmos dois seres humanos.
18/08/2013
Tá pensando que é brincadeira? Não é não! É isso mesmo. Passagem só de ida.
Mesmo assim, já tem mais de 100 mil inscrições de voluntários querendo se mudar para o planeta vermelho para morar em pequenas cápsulas, provavelmente cedidas pelo BNH.
A idéia de mandar gente para Marte com passagem só de ida é me parece assustador. Mas os autores do projeto afirmam que isso não é nada de mais. Dizem que isto não seria mais estranho que uma passagem só de ida para os Estados Unidos em 1620, na época da colonização americana, e que a exploração, as descobertas e as viagens para o desconhecido fazem parte do próprio espírito humano.
Convenhamos, existe uma grande diferença entre os dois casos. Aposto, sem chances de errar, que nenhum dos donos da Mars One embarcaria em um vôo “one way” para Marte.
A proposta seria mandar inicialmente quatro pessoas “equipadas” com um pequeno reator nuclear debaixo do braço e um par de veículos. Presumo que pás e picaretas e band-aids devem fazer parte do kit básico de sobrevivência. Lá os “news marcianos” teriam que fabricar seu próprio oxigênio, cultivar alimentos, e até mesmo iniciar projetos de construção utilizando-se de matérias primas local, com o objetivo de acolher os futuros humanos que seriam enviados. Coisa leve, fácil de fazer, sem problema algum.
Periodicamente (até faltar grana) remessas de alimentos e suprimentos médicos seriam enviadas da terra aos nossos expedicionários.
No meio de todos os voluntários inscritos logicamente existem brasileiros. E como dito na reportagem por uma compatriota, ela “quer ter a oportunidade de experimentar uma nova forma de viver em uma “nova sociedade.
Tudo bem! Eu até posso entender estas questões filosóficas da natureza humana sobre a curiosidade pelo desconhecido, mas gostaria de fazer algumas perguntas:
O que há de errado com a velha Terra? Tá faltando espaço? Estão faltando alimentos? Está faltando privacidade?
Se o problema é a falta de privacidade, existem locais na Terra totalmente isolados, totalmente ermos, ótimos para se iniciar uma nova sociedade. Garanto que todos muito mais aprazíveis que qualquer lugar de Marte.
Por que ir morar lá?
Talvez o problema dos nossos aspirantes á marcianos, não seja propriamente a velha Terra, e sim a complicada natureza do ser humano que nela habita Conhecendo esta natureza, fica fácil de fazer algumas previsões.
Certamente se enviarmos inicialmente para Marte estas quatro pessoas, mesmo antes de chegar lá, uma delas vai querer ser o chefe, a outra para tirar proveito da situação vai se colocar na posição de “amigo do chefe” e a terceira, para não perder espaço, vai logo se candidatar a consultor marciano para assuntos outros. O que vacilar vai terminar fazendo todo o trabalho pesado. Lembram das pás e picaretas e dos bad-aids? Continuando.....: Se por um acaso faltar vaga na cápsula e só couberem três camas, as vagas certamente ficarão distribuídas da seguinte forma: uma para o chefe, uma para o "amigo do chefe” e a outra para o consultor.
Sem direito a sua vaga, o nosso quarto viajante, vai mesmo ter que dormir ao relento sem ao menos ter direito a um rodízio de “cama quente”.
Esta é a grande verdade sobre a natureza humana, “farinha pouca o meu pirão primeiro”. Ela é valida tanto aqui na terra, como em Marte ou em qualquer lugar do universo.
Basta apenas juntarmos dois seres humanos.
18/08/2013
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