Ainda era cedo, o expediente estava apenas começando, quando Hernando entrou na minha sala e foi logo dizendo: - Cara, eu amo Maria Amélia.
Fiquei sem saber o que dizer. Éramos amigos, mas conversávamos, no dia a dia, apenas assuntos de trabalho e sobre as sacanagens que sempre rola dentro de uma empresa. Nunca havíamos falado de seus assuntos particulares. Na época eu tinha poucos anos de empresa, e ele já era um profissional veterano em final de carreira.
Hernando, depois que se separou de sua mulher, passou a viver sozinho em seu apartamento e se transformou em um sujeito solitário, que poucas vezes saia. Vivia trancafiado em seu apto e quando a coisa ficava muito complicada era o zelador do prédio que ia fazer a limpeza e deixar as coisas em ordem. Sair, apenas para o trabalho.
Apesar de tudo, e de sua idade, ele se relacionava bem com a turma mais nova, e dentro dele, lá estava eu.
Mas naquela manhã Hernando estava diferente. Seu semblante parecia realmente abatido, como se houvesse passado a noite toda “em claro”. Aquela sua declaração parecia ser o início de um momento de desabafo.
Com calma, e fazendo longas pausas, como se estivesse ordenando o seu pensamento, contou-me que estava obcecado, já há anos, por uma colega, “a tal” Maria Amélia, e por mais que fizesse, não era correspondido. Enviara flores, enviara presentes, mas nunca obtinha respostas. Disse-me que sua paixão terminou se transformando em obsessão, e que ela chegou ao ponto de investigar a vida pessoal dela, com a intenção de achar algum espaço para poder conquista-la.
Sua mania o levou a segui-la nas suas atividades diárias. Se Maria Amélia ia a um supermercado, lá estava o Hernando observando-a de longe. Se ela ia a uma praia, lá estava ele fotografando a sua amada. Seu comportamento, de tão acintoso que era, obrigou-a a dar queixa na polícia. E lá se foi Hernando à delegacia dar esclarecimentos sobre o seu assédio. Terminou por ouvir do delegado, um belo carão e a promessas que se não mudasse de atitude, da próxima vez ele não seria tão condescendente.
E assim, o meu amigo Hernando caiu em profunda depressão, e por uns quinze dias, desapareceu do trabalho e se trancou em seu apartamento. Não falava com ninguém nem atendia telefonemas. Apenas o zelador, seu amigo, foi o seu único ser vivo que manteve contato com ele durante esses dias.
Passado o período de “luto”, Hernando reapareceu. Abatido, como era de se esperar, voltou, ou tentou retornar à suas atividades habituais.
Como era de se esperar, a história de amor platônico do meu amigo se espalhou pela empresa, como um rastrilho de pólvora.
Naquela época, trabalhava conosco a Lícia, uma morena formosa, expansiva, cheia de personalidade, de relacionamentos abertos, com muita experiência de vida e muito fogosa. O único problema era que vivia fazendo visitas, quase que diárias, ao gerente do nosso banco.
Cheia de amor para dar, percebeu que aquele era um grande momento para resolver de vez os seus problemas. A fera estava ferida, em convalescência, e que sem dúvida precisaria de seu “apoio”.
E assim, a Lica, se empenhou em conquistar o Nando.
Com suas habilidades especiais e a carência do “seu amado”, a tarefa foi muito fácil de ser realizada. Em pouquíssimo tempo ela o tinha feito esquecer “a tal” Maria Amélia, e evaporou definitivamente a sua depressão.
A Lícia, na sua expansividade, cheia de alegria e amor para dar, alardeava aos quatro ventos que em breve os dois estariam morando juntos.
Rapidamente, Hernando vendeu o seu muquifo e comprou um apartamento “novo em folha” em um bairro nobre da cidade.
O ninho de amor, de Nando e Lica, estava armado. Os únicos pequenos inconveniente eram os dois filhotes adolescentes da Lica que iriam morar com eles. Mas Hernando nem estava ligando para isso. Parecia que finalmente ele havia conseguido uma família. Hernando e Lícia agora eram as personificações da pura felicidade. O homem ganhou uma nova vida e Líca se vangloriava que suas “habilidades especiais” tinham levantado o homem.
O tempo passou, e justiça seja feita, Lícia cuidou direitinho do velho Nando. Assumiu o papel de esposa responsável, dedicada e fiel, pelo menos até a onde se sabe. Ela o acompanhou com dedicação até a sua morte.
Tenho certeza que Hernando morreu bem assistido e digamos assim; “morreu feliz”.
Superado este momento, e após certo tempo a “inquietude” e o “fogo” de Lica voltaram com tudo, e com eles, sua antiga vida.
O patrimônio deixado por Hernando foi rapidamente dilapidado, sendo que o belo apartamento do antigo casal, vendido para a compra de um menor.
Hoje ela adotou um garotão malhado e voltou a fazer visitas ao seu antigo gerente.
Mesmo assim, acho que Hernando, onde quer que esteja, não a recrimina. Tenho certeza que os anos que ele passou com Lícia, foram os melhores de sua existência.
Assim é a vida!
quarta-feira, 30 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
O milagre
Envolvida em uma profunda aflição, Maria Encarnación viu à sua frente a grande e pesada porta do convento se abrindo. Lá estava a abadessa, figura de semblante frio e sisudo e ar bastante severo.
A madre esperava para recebê-la, juntamente com seu pai, uma autoridade local e homem de grandes posses.
Para aquela jovem, a passagem por aquela porta representava o limite entre o mundo da liberdade, do amor, e o de uma vida de profunda tristeza, reclusa em um pequeno claustro solitário.
Já que ela não tinha nenhuma inclinação religiosa, qual teria sido seu erro para tão severo castigo?
Ao que se sabe, por uma dessas casualidades do destino, Encarnación conheceu e se apaixonou por Ryan, um jovem mancebo, que, para o azar de ambos, era totalmente desprovido de recursos e distinção social.
Logo que soube do seu envolvimento com o Ryan, seu pai totalmente enfurecido reprovou violentamente aquele relacionamento, e rapidamente providenciou o seu internamento no monastério da cidade. Na madrugada do dia seguinte, o jovem Ryan fora raptado e forçado a embarcar em um navio que saia para a Espanha.
Os meses seguintes de Encarnación no mosteiro foram regidos por uma por apatia profunda e adoecimentos constantes. Naquele ambiente austero e de isolamento, sua única comunicação com o mundo exterior era no dia de visita, em que falava com sua mãe através de um estreito gradil de madeira, por apenas alguns minutos. Sem nenhuma inclinação religiosa e com indecifráveis intenções latentes, Encarnación passou a conviver com centenas de outras donzelas que ali estavam por motivos semelhantes ou por promessas feitas por seus pais, que as ofereciam como oferendas a sua santa de devoção.
Vivendo com apenas o indispensável, os meses, assim como os primeiros anos foram se arrastando entre o duro trabalho diário do monastério, as aulas e as longas horas de recolhimento espiritual.
Os únicos momentos de descontração resumiam-se às curtas caminhadas pelas ruelas daquele excêntrico convento e as discretas conversas com as outras educandas, nos belos pátios, repletos de flores e pequenos arbustos.
Certa tarde, em mais uma dessas caminhadas, discretamente Encarnación recebeu de uma laica de serviço um intrigante bilhete que dizia: - Em breve estarei com você, não se assuste.
Vivendo no meio de centenas de pessoas de sentimentos tão heterogêneos, tudo parecia ser possível.
E assim, Encarnación viveu os dias seguintes envolta no mistério daquele bilhete intrigante e anônimo.
Certa noite alguém bateu à porta do seu claustro. Já era bem tarde e a noite apresentava-se bastante escura. Maria Encarnación intrigada e com receio perguntou timidamente: - Quem está ai?
E como resposta obteve:- Preciso falar com você.
Aquela voz não era estranha para ela. Mas mesmo assim, por cuidado, olhou pela pequena vigia da porta e viu a imagem de uma monja usando o seu capuz que lhe escondia totalmente o rosto. Quem seria?
Neste instante ela ouviu: - Não se assuste Encarnación, sou eu. Sou eu! Ryan! Eu voltei.
Ryan! Como poderia ele estar ali? Como poderia ter saltado os altos muros de siliares que cercavam o mosteiro?
Mas o fato era que Ryan, após ter conseguido voltar da Espanha, havia achado uma forma de entrar no mosteiro.
Sem duvida era ele. Imediatamente abriu a porta e Juntos passaram o resto da noite trocando profundos carinhos e juras de um amor verdadeiro.
E assim os dias foram se sucedendo e Ryan, vestido com hábito de monja, todas as noites conseguia transitar furtivamente pelo convento sem ser notado e visitar a sua amada.
Devido aos movimentos clandestinos que existiam durante as noites do convento, com saídas e entradas das donzelas entre os vários claustros, Ryan terminou por ser descoberto devido a um pequeno detalhe: as botas que usava por baixo do hábito.
Rapidamente a abadessa foi avisada que havia um homem transitando no convento e que tinha entrado no claustro de uma das educandas.
Como explicar a presença de um homem na cela de seu mosteiro? Isso seria um verdadeiro escândalo, pensou ela.
Enquanto as auxiliares tentavam abrir a porta do claustro, a abadessa aflita tratou de mandar todos embora, deixando apenas duas madres de sua extrema confiança.
Quando finalmente conseguiram destravar a trancada porta, a madre superiora dispensou também as laicas, e juntamente com as outras duas madres entraram na cela.
Para sua surpresa, elas se depararam com um belo anjo que estava ajoelhado aos pés de Maria Encarnacion, e que repetia solenemente e sem parar: - Salve Maria, Salve Maria..............
Conta a abadessa que em um determinado instante, uma luz começou a emanar do corpo de Maria e a tomar toda a cela, a tal ponto de quase não permitir mais poder ser observada.
Mas mesmo assim, a madre superiora jura ter visto o corpo de Maria e do anjo, se transformarem em pura luz e se fundirem. Seguindo-se a isso, ela relata que houve uma grande explosão de energia, e como um raio toda aquela luz projetou-se porta a fora, indo em direção as montanhas localizadas próximas ao convento. A explosão de energia teria sido tão forte que chegou a queimar algumas peças do claustro.
Acontecido tudo isso, a abadessa convicta que tinha presenciado um verdadeiro milagre no seu monastério, determinou que a partir daquela data o claustro de Maria Encarnación se transformasse em um lugar sagrado do convento. Na madrugada prevista para a partida do navio que serviria de fuga para Ryan e Encarnación, enquanto a nave desatracava do cais, tomava o seu rumo e se perdia mar adentro, sendo engolida pala escuridão da noite, de dentro de uma carruagem, três vultos negros observam discretamente a partida daquele navio. Após alguns momentos a carruagem parte, e também ela se embrenha na escuridão daquela noite.
A madre esperava para recebê-la, juntamente com seu pai, uma autoridade local e homem de grandes posses.
Para aquela jovem, a passagem por aquela porta representava o limite entre o mundo da liberdade, do amor, e o de uma vida de profunda tristeza, reclusa em um pequeno claustro solitário.
Já que ela não tinha nenhuma inclinação religiosa, qual teria sido seu erro para tão severo castigo?
Ao que se sabe, por uma dessas casualidades do destino, Encarnación conheceu e se apaixonou por Ryan, um jovem mancebo, que, para o azar de ambos, era totalmente desprovido de recursos e distinção social.
Logo que soube do seu envolvimento com o Ryan, seu pai totalmente enfurecido reprovou violentamente aquele relacionamento, e rapidamente providenciou o seu internamento no monastério da cidade. Na madrugada do dia seguinte, o jovem Ryan fora raptado e forçado a embarcar em um navio que saia para a Espanha.
Os meses seguintes de Encarnación no mosteiro foram regidos por uma por apatia profunda e adoecimentos constantes. Naquele ambiente austero e de isolamento, sua única comunicação com o mundo exterior era no dia de visita, em que falava com sua mãe através de um estreito gradil de madeira, por apenas alguns minutos. Sem nenhuma inclinação religiosa e com indecifráveis intenções latentes, Encarnación passou a conviver com centenas de outras donzelas que ali estavam por motivos semelhantes ou por promessas feitas por seus pais, que as ofereciam como oferendas a sua santa de devoção.
Vivendo com apenas o indispensável, os meses, assim como os primeiros anos foram se arrastando entre o duro trabalho diário do monastério, as aulas e as longas horas de recolhimento espiritual.
Os únicos momentos de descontração resumiam-se às curtas caminhadas pelas ruelas daquele excêntrico convento e as discretas conversas com as outras educandas, nos belos pátios, repletos de flores e pequenos arbustos.
Certa tarde, em mais uma dessas caminhadas, discretamente Encarnación recebeu de uma laica de serviço um intrigante bilhete que dizia: - Em breve estarei com você, não se assuste.
Vivendo no meio de centenas de pessoas de sentimentos tão heterogêneos, tudo parecia ser possível.
E assim, Encarnación viveu os dias seguintes envolta no mistério daquele bilhete intrigante e anônimo.
Certa noite alguém bateu à porta do seu claustro. Já era bem tarde e a noite apresentava-se bastante escura. Maria Encarnación intrigada e com receio perguntou timidamente: - Quem está ai?
E como resposta obteve:- Preciso falar com você.
Aquela voz não era estranha para ela. Mas mesmo assim, por cuidado, olhou pela pequena vigia da porta e viu a imagem de uma monja usando o seu capuz que lhe escondia totalmente o rosto. Quem seria?
Neste instante ela ouviu: - Não se assuste Encarnación, sou eu. Sou eu! Ryan! Eu voltei.
Ryan! Como poderia ele estar ali? Como poderia ter saltado os altos muros de siliares que cercavam o mosteiro?
Mas o fato era que Ryan, após ter conseguido voltar da Espanha, havia achado uma forma de entrar no mosteiro.
Sem duvida era ele. Imediatamente abriu a porta e Juntos passaram o resto da noite trocando profundos carinhos e juras de um amor verdadeiro.
E assim os dias foram se sucedendo e Ryan, vestido com hábito de monja, todas as noites conseguia transitar furtivamente pelo convento sem ser notado e visitar a sua amada.
Devido aos movimentos clandestinos que existiam durante as noites do convento, com saídas e entradas das donzelas entre os vários claustros, Ryan terminou por ser descoberto devido a um pequeno detalhe: as botas que usava por baixo do hábito.
Rapidamente a abadessa foi avisada que havia um homem transitando no convento e que tinha entrado no claustro de uma das educandas.
Como explicar a presença de um homem na cela de seu mosteiro? Isso seria um verdadeiro escândalo, pensou ela.
Enquanto as auxiliares tentavam abrir a porta do claustro, a abadessa aflita tratou de mandar todos embora, deixando apenas duas madres de sua extrema confiança.
Quando finalmente conseguiram destravar a trancada porta, a madre superiora dispensou também as laicas, e juntamente com as outras duas madres entraram na cela.
Para sua surpresa, elas se depararam com um belo anjo que estava ajoelhado aos pés de Maria Encarnacion, e que repetia solenemente e sem parar: - Salve Maria, Salve Maria..............
Conta a abadessa que em um determinado instante, uma luz começou a emanar do corpo de Maria e a tomar toda a cela, a tal ponto de quase não permitir mais poder ser observada.
Mas mesmo assim, a madre superiora jura ter visto o corpo de Maria e do anjo, se transformarem em pura luz e se fundirem. Seguindo-se a isso, ela relata que houve uma grande explosão de energia, e como um raio toda aquela luz projetou-se porta a fora, indo em direção as montanhas localizadas próximas ao convento. A explosão de energia teria sido tão forte que chegou a queimar algumas peças do claustro.
Acontecido tudo isso, a abadessa convicta que tinha presenciado um verdadeiro milagre no seu monastério, determinou que a partir daquela data o claustro de Maria Encarnación se transformasse em um lugar sagrado do convento. Na madrugada prevista para a partida do navio que serviria de fuga para Ryan e Encarnación, enquanto a nave desatracava do cais, tomava o seu rumo e se perdia mar adentro, sendo engolida pala escuridão da noite, de dentro de uma carruagem, três vultos negros observam discretamente a partida daquele navio. Após alguns momentos a carruagem parte, e também ela se embrenha na escuridão daquela noite.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
O gato
Havia chegado o inverno.
Repentinamente a porta da sala se abriu
e um vento gélido percorreu todo o ambiente.
Um gato, branco como a neve, entrou pela porta
e foi beber o leite que se encontrava em um grande pires.
Bebeu, bebeu, bebeu, até se saciar.
Em seguida mergulhou no leite e desapareceu.
Repentinamente a porta da sala se abriu
e um vento gélido percorreu todo o ambiente.
Um gato, branco como a neve, entrou pela porta
e foi beber o leite que se encontrava em um grande pires.
Bebeu, bebeu, bebeu, até se saciar.
Em seguida mergulhou no leite e desapareceu.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O encontro
Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Peregrino
A noite chegou.
Mais uma vez,o cansaço imóvel do bronze
libertou suas almas.
Os que estavam sentados levantaram,
e lá se foram os quatros para o boteco
tomar cerveja com torresmo.
Ao clarear, como sempre, voltaram
e novamente morreram.
A noite chegou.
Mais uma vez,o cansaço imóvel do bronze
libertou suas almas.
Os que estavam sentados levantaram,
e lá se foram os quatros para o boteco
tomar cerveja com torresmo.
Ao clarear, como sempre, voltaram
e novamente morreram.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Bola amarela
Sathya ( 7 anos)
Quando voa pelo ar
minha bola amarela
parece uma estrela a brilhar.
Quando jogo com ela,
ela vira uma danada.
Pula, pula,pula,
como hula hula.
Mas quando dou um chutão
o goleiro cai de peito,
não tem mais jeito,
não tem perdão.
É goooool !
Quando voa pelo ar
minha bola amarela
parece uma estrela a brilhar.
Quando jogo com ela,
ela vira uma danada.
Pula, pula,pula,
como hula hula.
Mas quando dou um chutão
o goleiro cai de peito,
não tem mais jeito,
não tem perdão.
É goooool !
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Vão.
Fazia tempo que ele estava parado sob aquela árvore.
Aos poucos sua pele foi ficando cada vez mais seca, mais grossa e escura, tal qual a de um velho elefante.
Quanto mais seca e grossa ia ficando, mais o seu corpo ia se curvando para frente e perdendo a forma.
Por fim, tombou espatifando-se no chão em centenas de cacos, que logo foram assimilados pela avidez de uma terra úmida.
Aos poucos sua pele foi ficando cada vez mais seca, mais grossa e escura, tal qual a de um velho elefante.
Quanto mais seca e grossa ia ficando, mais o seu corpo ia se curvando para frente e perdendo a forma.
Por fim, tombou espatifando-se no chão em centenas de cacos, que logo foram assimilados pela avidez de uma terra úmida.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Parece um filme.
Assim como no assassinato de JFK, há 50 anos atrás, a história da fuga de Pizzolato, mensaleiro condenado, impressiona pela diversidade de teorias, todas dignas de roteiro de filmes policial. Elas revelam a existência de uma série de pistas falsas, que não poderiam ser implantadas exclusivamente pelo próprio fugitivo.
Todos já sabiam que ele já havia desaparecido há cerca de dois meses do Rio de Janeiro, onde morava com a mulher.
Somente após algumas horas do Supremo Tribunal Federal expedir o seu mandado de prisão, é que aparece a primeira informação do caso dando conta de que Pizzolato teria fugido para a Itália para não cumprir a pena que lhe foi imposta.
Por que esperar até o ultimo instante para fugir? Já que ele estaria decidido, por que não o teria feito antes?
A partir daí, várias outras teorias sobre a sua fuga começam a aparecer, cada qual levando em uma direção, mostrando uma real intenção de criar uma verdadeira cortina de fumaça ao redor do mensaleiro fujão.
A família, afirma que o foragido estaria na Itália, após deixar o Brasil pela cidade de Ponta Porã (MS) e ingressar no Paraguai por Pedro Juan Caballero. Outra hipótese, indica que Pizolato teria deixado o país através da cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde teria seguido para a Argentina. De Buenos Aires teria viajado para a Europa com um documento supostamente emitido por um consulado italiano em substituição ao passaporte que lhe foi tomado pela justiça brasileira.
O consulato da Itália na Argentina nega que Pizzolato tenha solicitada a segunda via do passaporte ou conseguido algum documento que o substituísse.
O consulato da Italia no Paraguai também nega ter emitodo algum tipo de documento. Outra possibilidade aventada é que ele tenha viajado com um passaporte falsificado, conseguido com criminosos que atuam em território paraguaio.
Pelo seu lado, o governo italiano informou à polícia brasileira que não há registro da entrada de Henrique Pizzolato naquele país.
Mas a polícia federal brasileira, toda embananada, afirma que ele deixou o Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usando um passaporte italiano. Assunto esse, cheio de erros e mistérios.
Como um homem sozinho poderia criar uma trama tão complexa?
Certo é que, segundo os investigadores, Pizzolato sabia muito do esquema que levou seus companheiros à prisão. Sabe-se através da imprensa que ele teria pressionado o PT a livra-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico.
O seu silêncio interessa não apenas aos que eventualmente tenham participado diretamente do escândalo de corrupção, mas principalmente ao que escaparam ilesos da execração pública e da condenação do Supremo.
Pizzolato sabe demais sobre o escândalo do Mensalão do PT e um eventual depoimento seu poderia ser uma bomba que terminaria por ressoar na reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Comenta-se na imprensa que os dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado nesta fuga, juntamente com um seguimento do governo federal, o qual era informado constantemente, pelo setor de inteligência, dos movimentos do mensaleiro.
Comenta-se que nada disso teria sido possível sem a conivência de autoridades federais, algumas interessadas no sumiço do ex-diretor do Banco do Brasil, que desde a CPI dos Correios é considerado um arquivo ambulante e altamente explosivo.
Existe também a possibilidade, para a Polícia Federal, que Pizzolato possa nem ter saído do Brasil.
Como nos grandes filmes policiais, e associando aos enredos já vistos e utilizados pelos envolvidos nesta trama, o desfecho desta história certamente poderá ter um final tórrido. Nos filmes da máfia, por exemplo, a pena para os traidores, ou para aqueles que ela acha que poderá vir a traí-la é sempre a mesma.
Enquanto Pizollato não reaparecer, sempre existe a possibilidade dele ainda estar no Brasil, descansando, quem sabe, tranquilamente na frialdade inorgânica da terra.
Todos já sabiam que ele já havia desaparecido há cerca de dois meses do Rio de Janeiro, onde morava com a mulher.
Somente após algumas horas do Supremo Tribunal Federal expedir o seu mandado de prisão, é que aparece a primeira informação do caso dando conta de que Pizzolato teria fugido para a Itália para não cumprir a pena que lhe foi imposta.
Por que esperar até o ultimo instante para fugir? Já que ele estaria decidido, por que não o teria feito antes?
A partir daí, várias outras teorias sobre a sua fuga começam a aparecer, cada qual levando em uma direção, mostrando uma real intenção de criar uma verdadeira cortina de fumaça ao redor do mensaleiro fujão.
A família, afirma que o foragido estaria na Itália, após deixar o Brasil pela cidade de Ponta Porã (MS) e ingressar no Paraguai por Pedro Juan Caballero. Outra hipótese, indica que Pizolato teria deixado o país através da cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde teria seguido para a Argentina. De Buenos Aires teria viajado para a Europa com um documento supostamente emitido por um consulado italiano em substituição ao passaporte que lhe foi tomado pela justiça brasileira.
O consulato da Itália na Argentina nega que Pizzolato tenha solicitada a segunda via do passaporte ou conseguido algum documento que o substituísse.
O consulato da Italia no Paraguai também nega ter emitodo algum tipo de documento. Outra possibilidade aventada é que ele tenha viajado com um passaporte falsificado, conseguido com criminosos que atuam em território paraguaio.
Pelo seu lado, o governo italiano informou à polícia brasileira que não há registro da entrada de Henrique Pizzolato naquele país.
Mas a polícia federal brasileira, toda embananada, afirma que ele deixou o Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usando um passaporte italiano. Assunto esse, cheio de erros e mistérios.
Como um homem sozinho poderia criar uma trama tão complexa?
Certo é que, segundo os investigadores, Pizzolato sabia muito do esquema que levou seus companheiros à prisão. Sabe-se através da imprensa que ele teria pressionado o PT a livra-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico.
O seu silêncio interessa não apenas aos que eventualmente tenham participado diretamente do escândalo de corrupção, mas principalmente ao que escaparam ilesos da execração pública e da condenação do Supremo.
Pizzolato sabe demais sobre o escândalo do Mensalão do PT e um eventual depoimento seu poderia ser uma bomba que terminaria por ressoar na reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Comenta-se na imprensa que os dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado nesta fuga, juntamente com um seguimento do governo federal, o qual era informado constantemente, pelo setor de inteligência, dos movimentos do mensaleiro.
Comenta-se que nada disso teria sido possível sem a conivência de autoridades federais, algumas interessadas no sumiço do ex-diretor do Banco do Brasil, que desde a CPI dos Correios é considerado um arquivo ambulante e altamente explosivo.
Existe também a possibilidade, para a Polícia Federal, que Pizzolato possa nem ter saído do Brasil.
Como nos grandes filmes policiais, e associando aos enredos já vistos e utilizados pelos envolvidos nesta trama, o desfecho desta história certamente poderá ter um final tórrido. Nos filmes da máfia, por exemplo, a pena para os traidores, ou para aqueles que ela acha que poderá vir a traí-la é sempre a mesma.
Enquanto Pizollato não reaparecer, sempre existe a possibilidade dele ainda estar no Brasil, descansando, quem sabe, tranquilamente na frialdade inorgânica da terra.
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