Havia chegado o inverno.
Repentinamente a porta da sala se abriu
e um vento gélido percorreu todo o ambiente.
Um gato, branco como a neve, entrou pela porta
e foi beber o leite que se encontrava em um grande pires.
Bebeu, bebeu, bebeu, até se saciar.
Em seguida mergulhou no leite e desapareceu.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O encontro
Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Peregrino
A noite chegou.
Mais uma vez,o cansaço imóvel do bronze
libertou suas almas.
Os que estavam sentados levantaram,
e lá se foram os quatros para o boteco
tomar cerveja com torresmo.
Ao clarear, como sempre, voltaram
e novamente morreram.
A noite chegou.
Mais uma vez,o cansaço imóvel do bronze
libertou suas almas.
Os que estavam sentados levantaram,
e lá se foram os quatros para o boteco
tomar cerveja com torresmo.
Ao clarear, como sempre, voltaram
e novamente morreram.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Bola amarela
Sathya ( 7 anos)
Quando voa pelo ar
minha bola amarela
parece uma estrela a brilhar.
Quando jogo com ela,
ela vira uma danada.
Pula, pula,pula,
como hula hula.
Mas quando dou um chutão
o goleiro cai de peito,
não tem mais jeito,
não tem perdão.
É goooool !
Quando voa pelo ar
minha bola amarela
parece uma estrela a brilhar.
Quando jogo com ela,
ela vira uma danada.
Pula, pula,pula,
como hula hula.
Mas quando dou um chutão
o goleiro cai de peito,
não tem mais jeito,
não tem perdão.
É goooool !
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Vão.
Fazia tempo que ele estava parado sob aquela árvore.
Aos poucos sua pele foi ficando cada vez mais seca, mais grossa e escura, tal qual a de um velho elefante.
Quanto mais seca e grossa ia ficando, mais o seu corpo ia se curvando para frente e perdendo a forma.
Por fim, tombou espatifando-se no chão em centenas de cacos, que logo foram assimilados pela avidez de uma terra úmida.
Aos poucos sua pele foi ficando cada vez mais seca, mais grossa e escura, tal qual a de um velho elefante.
Quanto mais seca e grossa ia ficando, mais o seu corpo ia se curvando para frente e perdendo a forma.
Por fim, tombou espatifando-se no chão em centenas de cacos, que logo foram assimilados pela avidez de uma terra úmida.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Parece um filme.
Assim como no assassinato de JFK, há 50 anos atrás, a história da fuga de Pizzolato, mensaleiro condenado, impressiona pela diversidade de teorias, todas dignas de roteiro de filmes policial. Elas revelam a existência de uma série de pistas falsas, que não poderiam ser implantadas exclusivamente pelo próprio fugitivo.
Todos já sabiam que ele já havia desaparecido há cerca de dois meses do Rio de Janeiro, onde morava com a mulher.
Somente após algumas horas do Supremo Tribunal Federal expedir o seu mandado de prisão, é que aparece a primeira informação do caso dando conta de que Pizzolato teria fugido para a Itália para não cumprir a pena que lhe foi imposta.
Por que esperar até o ultimo instante para fugir? Já que ele estaria decidido, por que não o teria feito antes?
A partir daí, várias outras teorias sobre a sua fuga começam a aparecer, cada qual levando em uma direção, mostrando uma real intenção de criar uma verdadeira cortina de fumaça ao redor do mensaleiro fujão.
A família, afirma que o foragido estaria na Itália, após deixar o Brasil pela cidade de Ponta Porã (MS) e ingressar no Paraguai por Pedro Juan Caballero. Outra hipótese, indica que Pizolato teria deixado o país através da cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde teria seguido para a Argentina. De Buenos Aires teria viajado para a Europa com um documento supostamente emitido por um consulado italiano em substituição ao passaporte que lhe foi tomado pela justiça brasileira.
O consulato da Itália na Argentina nega que Pizzolato tenha solicitada a segunda via do passaporte ou conseguido algum documento que o substituísse.
O consulato da Italia no Paraguai também nega ter emitodo algum tipo de documento. Outra possibilidade aventada é que ele tenha viajado com um passaporte falsificado, conseguido com criminosos que atuam em território paraguaio.
Pelo seu lado, o governo italiano informou à polícia brasileira que não há registro da entrada de Henrique Pizzolato naquele país.
Mas a polícia federal brasileira, toda embananada, afirma que ele deixou o Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usando um passaporte italiano. Assunto esse, cheio de erros e mistérios.
Como um homem sozinho poderia criar uma trama tão complexa?
Certo é que, segundo os investigadores, Pizzolato sabia muito do esquema que levou seus companheiros à prisão. Sabe-se através da imprensa que ele teria pressionado o PT a livra-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico.
O seu silêncio interessa não apenas aos que eventualmente tenham participado diretamente do escândalo de corrupção, mas principalmente ao que escaparam ilesos da execração pública e da condenação do Supremo.
Pizzolato sabe demais sobre o escândalo do Mensalão do PT e um eventual depoimento seu poderia ser uma bomba que terminaria por ressoar na reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Comenta-se na imprensa que os dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado nesta fuga, juntamente com um seguimento do governo federal, o qual era informado constantemente, pelo setor de inteligência, dos movimentos do mensaleiro.
Comenta-se que nada disso teria sido possível sem a conivência de autoridades federais, algumas interessadas no sumiço do ex-diretor do Banco do Brasil, que desde a CPI dos Correios é considerado um arquivo ambulante e altamente explosivo.
Existe também a possibilidade, para a Polícia Federal, que Pizzolato possa nem ter saído do Brasil.
Como nos grandes filmes policiais, e associando aos enredos já vistos e utilizados pelos envolvidos nesta trama, o desfecho desta história certamente poderá ter um final tórrido. Nos filmes da máfia, por exemplo, a pena para os traidores, ou para aqueles que ela acha que poderá vir a traí-la é sempre a mesma.
Enquanto Pizollato não reaparecer, sempre existe a possibilidade dele ainda estar no Brasil, descansando, quem sabe, tranquilamente na frialdade inorgânica da terra.
Todos já sabiam que ele já havia desaparecido há cerca de dois meses do Rio de Janeiro, onde morava com a mulher.
Somente após algumas horas do Supremo Tribunal Federal expedir o seu mandado de prisão, é que aparece a primeira informação do caso dando conta de que Pizzolato teria fugido para a Itália para não cumprir a pena que lhe foi imposta.
Por que esperar até o ultimo instante para fugir? Já que ele estaria decidido, por que não o teria feito antes?
A partir daí, várias outras teorias sobre a sua fuga começam a aparecer, cada qual levando em uma direção, mostrando uma real intenção de criar uma verdadeira cortina de fumaça ao redor do mensaleiro fujão.
A família, afirma que o foragido estaria na Itália, após deixar o Brasil pela cidade de Ponta Porã (MS) e ingressar no Paraguai por Pedro Juan Caballero. Outra hipótese, indica que Pizolato teria deixado o país através da cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde teria seguido para a Argentina. De Buenos Aires teria viajado para a Europa com um documento supostamente emitido por um consulado italiano em substituição ao passaporte que lhe foi tomado pela justiça brasileira.
O consulato da Itália na Argentina nega que Pizzolato tenha solicitada a segunda via do passaporte ou conseguido algum documento que o substituísse.
O consulato da Italia no Paraguai também nega ter emitodo algum tipo de documento. Outra possibilidade aventada é que ele tenha viajado com um passaporte falsificado, conseguido com criminosos que atuam em território paraguaio.
Pelo seu lado, o governo italiano informou à polícia brasileira que não há registro da entrada de Henrique Pizzolato naquele país.
Mas a polícia federal brasileira, toda embananada, afirma que ele deixou o Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usando um passaporte italiano. Assunto esse, cheio de erros e mistérios.
Como um homem sozinho poderia criar uma trama tão complexa?
Certo é que, segundo os investigadores, Pizzolato sabia muito do esquema que levou seus companheiros à prisão. Sabe-se através da imprensa que ele teria pressionado o PT a livra-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico.
O seu silêncio interessa não apenas aos que eventualmente tenham participado diretamente do escândalo de corrupção, mas principalmente ao que escaparam ilesos da execração pública e da condenação do Supremo.
Pizzolato sabe demais sobre o escândalo do Mensalão do PT e um eventual depoimento seu poderia ser uma bomba que terminaria por ressoar na reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Comenta-se na imprensa que os dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado nesta fuga, juntamente com um seguimento do governo federal, o qual era informado constantemente, pelo setor de inteligência, dos movimentos do mensaleiro.
Comenta-se que nada disso teria sido possível sem a conivência de autoridades federais, algumas interessadas no sumiço do ex-diretor do Banco do Brasil, que desde a CPI dos Correios é considerado um arquivo ambulante e altamente explosivo.
Existe também a possibilidade, para a Polícia Federal, que Pizzolato possa nem ter saído do Brasil.
Como nos grandes filmes policiais, e associando aos enredos já vistos e utilizados pelos envolvidos nesta trama, o desfecho desta história certamente poderá ter um final tórrido. Nos filmes da máfia, por exemplo, a pena para os traidores, ou para aqueles que ela acha que poderá vir a traí-la é sempre a mesma.
Enquanto Pizollato não reaparecer, sempre existe a possibilidade dele ainda estar no Brasil, descansando, quem sabe, tranquilamente na frialdade inorgânica da terra.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Dois poemas; um só poeta.
Quando se pensa nos poetas como um ser lírico, Manuel Bandeira nós mostra a sua face de um ser real e nada pudico. Suas abordagens ás vezes consideradas vulgares, pela tradição acadêmica, reforça a sua condição humana de poeta do cotidiano, transitando entre o sublime e o mundano com a mesma facilidade.
A alcunha de “O mais lírico dos poeta” parece não se encaixar na sua personalidade.
Arte de Amar
Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
A Cópula.
Manuel Bandeira
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.
A alcunha de “O mais lírico dos poeta” parece não se encaixar na sua personalidade.
Arte de Amar
Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
A Cópula.
Manuel Bandeira
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
O buraco da fechadura.
Desde que o mundo é mundo que o homem se espiona. A arapongagem, como se conhece hoje, possivelmente teve seu início lá nos primórdios da humanidade, com a formação dos primeiros grupos de homo sapiens, quando ainda vagavam sem rumo pelas pradarias da África.
Por uma questão de sobrevivência, era preciso saber como o outro grupo conseguia abater aquele animal tão grande e sem grandes problemas. Agora eles teriam comida por vários dias, e a depender do clima, por várias semanas. Que “nova tecnologia” seria aquela? Era necessário saber. E para saber era preciso olhar, espiar; espionar. Espionar foi um ato que certamente ajudou de sobrevivência da própria humanidade, servindo como um catalizador da nossa evolução tecnológica.
Espionar o outro; o interesse pela vida alheia, e o prazer da bisbilhotice, parece fazer parte de natureza humana, estando encravada bem lá no fundo do nosso DNA.
Fala-se que os antigos Egípcios já possuíam um sistema de, digamos assim, “ aquisição de informações” bastante desenvolvido que servia ao estado, e pelo que se tem notícia, o primeiro serviço secreto oficial foi organizado por ordem do rei Luis XIV da França. De lá para cá, todo estadozinho que se preze tem o seu. Se não for para uso externo, é para uso interno, ou ambos.
Espionar o outro virou uma obsessão entre os estados constituídos. A guerra fria acelerou, refinou e sofisticou brutalmente os processos e as técnicas de espionagem. Espionagem e contraespionagem passaram a se misturar e já não se sabe mais quem começou primeiro. Na área das relações internacionais parece que a melhor defesa não é o ataque. É a espionagem.
Durante este longo tempo, parece que a única coisa que mudou foi a forma e a velocidade com que as “informações coletadas” chegam ao seu destino. O avanço tecnológico possibilitou uma espionagem “on line” sem a necessidade daqueles antigos agentes secretos que se infiltravam entre os inimigos, realizando todo o tipo de “trabalho sujo” que por ventura viesse a ocorrer.
Atualmente não se precisa mais enforcar ou decapitar o espião pilhado com a mão na massa. Se alguma coisa dá errado, é só desligar o sistema e fazer cara de desentendido quando acossado por algum repórter.
Hoje não adianta chorar nem fazer biquinho. Não adianta criptografar ou comprar um sistema especial qualquer. Quem vai lhe vender essa tecnologia é o mesmo que lhe espiona.
Dizem que a nossa saída para o espaço, através da base de Alcântara no Maranhão, sofreu uma “interferência” francesa. Oficialmente, a explosão foi provocada por uma pane elétrica que causou ignição antecipada de um dos propulsores do foguete. A localização da base brasileira é considerada uma das melhores do mundo para o lançamento de foguetes com satélites comerciais, pois com a proximidade ao Equador, estima-se uma economia de cerca 30% em combustível. Se desse certo, a base de Alcântara se transformaria na única concorrente do Centro Espacial de Kourou, localizado na Guiana Francesa. O acidente atrasou o nosso programa espacial em décadas.
Após o descobrimento do pré-sal a Quarta Frota americana, responsável pelo patrulhamento do atlântico sul foi reativada e eles deram uma chegadinha pela região, quase lançando ancora por aqui.
Estranhamente no leilão do campo gigante de Libra as grandes petroleiras americanas não se apresentaram. Por que elas não vieram? Será que é porque elas já sabem o que a gente ainda não sabe?
Ficar chocado com a descoberta das espionagens americana no Brasil, e ao resto do planeta, é no mínimo ingenuidade. Neste mundo, espiona mais quem pode mais. E o USA está no topo desta cadeia alimentar. Espionar vale grana; muitíssima grana.
Os russos, que também são protagonistas deste “modus vivendi” estão ressuscitando a velha e boa máquina de escrever. O serviço secreto comprou umas 20 máquinas para evitar possíveis vazamentos de informações através do uso de meios eletrônicos. E nós brasileiros o que faremos? Continuaremos vivendo ingenuamente e alegremente com a porta da nossa casa eternamente aberta, achando que todo o mundo é bonzinho e que bicho papão não existe?
Se assim for, estaremos fadados a ficar para sempre no nosso lugarzinho no pé da escada. E enquanto vamos sendo arapongados, continuamos dormindo em berço esplêndido. Bicho papão existe e vive dia e noite a nos espreitar.
Por uma questão de sobrevivência, era preciso saber como o outro grupo conseguia abater aquele animal tão grande e sem grandes problemas. Agora eles teriam comida por vários dias, e a depender do clima, por várias semanas. Que “nova tecnologia” seria aquela? Era necessário saber. E para saber era preciso olhar, espiar; espionar. Espionar foi um ato que certamente ajudou de sobrevivência da própria humanidade, servindo como um catalizador da nossa evolução tecnológica.
Espionar o outro; o interesse pela vida alheia, e o prazer da bisbilhotice, parece fazer parte de natureza humana, estando encravada bem lá no fundo do nosso DNA.
Fala-se que os antigos Egípcios já possuíam um sistema de, digamos assim, “ aquisição de informações” bastante desenvolvido que servia ao estado, e pelo que se tem notícia, o primeiro serviço secreto oficial foi organizado por ordem do rei Luis XIV da França. De lá para cá, todo estadozinho que se preze tem o seu. Se não for para uso externo, é para uso interno, ou ambos.
Espionar o outro virou uma obsessão entre os estados constituídos. A guerra fria acelerou, refinou e sofisticou brutalmente os processos e as técnicas de espionagem. Espionagem e contraespionagem passaram a se misturar e já não se sabe mais quem começou primeiro. Na área das relações internacionais parece que a melhor defesa não é o ataque. É a espionagem.
Durante este longo tempo, parece que a única coisa que mudou foi a forma e a velocidade com que as “informações coletadas” chegam ao seu destino. O avanço tecnológico possibilitou uma espionagem “on line” sem a necessidade daqueles antigos agentes secretos que se infiltravam entre os inimigos, realizando todo o tipo de “trabalho sujo” que por ventura viesse a ocorrer.
Atualmente não se precisa mais enforcar ou decapitar o espião pilhado com a mão na massa. Se alguma coisa dá errado, é só desligar o sistema e fazer cara de desentendido quando acossado por algum repórter.
Hoje não adianta chorar nem fazer biquinho. Não adianta criptografar ou comprar um sistema especial qualquer. Quem vai lhe vender essa tecnologia é o mesmo que lhe espiona.
Dizem que a nossa saída para o espaço, através da base de Alcântara no Maranhão, sofreu uma “interferência” francesa. Oficialmente, a explosão foi provocada por uma pane elétrica que causou ignição antecipada de um dos propulsores do foguete. A localização da base brasileira é considerada uma das melhores do mundo para o lançamento de foguetes com satélites comerciais, pois com a proximidade ao Equador, estima-se uma economia de cerca 30% em combustível. Se desse certo, a base de Alcântara se transformaria na única concorrente do Centro Espacial de Kourou, localizado na Guiana Francesa. O acidente atrasou o nosso programa espacial em décadas.
Após o descobrimento do pré-sal a Quarta Frota americana, responsável pelo patrulhamento do atlântico sul foi reativada e eles deram uma chegadinha pela região, quase lançando ancora por aqui.
Estranhamente no leilão do campo gigante de Libra as grandes petroleiras americanas não se apresentaram. Por que elas não vieram? Será que é porque elas já sabem o que a gente ainda não sabe?
Ficar chocado com a descoberta das espionagens americana no Brasil, e ao resto do planeta, é no mínimo ingenuidade. Neste mundo, espiona mais quem pode mais. E o USA está no topo desta cadeia alimentar. Espionar vale grana; muitíssima grana.
Os russos, que também são protagonistas deste “modus vivendi” estão ressuscitando a velha e boa máquina de escrever. O serviço secreto comprou umas 20 máquinas para evitar possíveis vazamentos de informações através do uso de meios eletrônicos. E nós brasileiros o que faremos? Continuaremos vivendo ingenuamente e alegremente com a porta da nossa casa eternamente aberta, achando que todo o mundo é bonzinho e que bicho papão não existe?
Se assim for, estaremos fadados a ficar para sempre no nosso lugarzinho no pé da escada. E enquanto vamos sendo arapongados, continuamos dormindo em berço esplêndido. Bicho papão existe e vive dia e noite a nos espreitar.
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